Taxa de desemprego sobe para 6,7%, diz IBGE

Índice é o mais alto já registrado para um mês de maio desde 2010, quando alcançou 7,5%

Por O Dia

Rio - A taxa de desemprego nas principais metrópoles do país teve em uma ligeira alta em maio em relação ao mês anterior, mas houve piora significativa se comparado ao mesmo período do ano passado. Segundo a Pesquisa Mensal de Emprego, divulgada ontem pelo IBGE, o desemprego no mês passado foi de 6,7%, praticamente o mesmo valor de abril (6,4%). Em relação a maio de 2014, quando a taxa fechou em 4,9%, registrou aumento de 1,8 ponto percentual. De acordo com o instituto, é o maior valor para o mês desde 2010.

Segundo o professor de economia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Fundação Getulio Vargas (FGV), André Nassif, a piora do quadro já era prevista, dentro da situação de alta da inflação e recessão econômica. “Temos a conjunção de uma aceleração da inflação por conta de um choque cambial e do reajuste dos preços administrados. Além disso, há uma política monetária muito dura, que reduziu muito o poder aquisitivo da população, em especial a de baixa renda”, explica.

De acordo com o IBGE, a população desocupada chegou a 1,6 milhão de pessoas, aumento de 38,5% ante maio de 2014. “Mais pessoas estão procurando trabalho, o que faz com que esta taxa cresça”, diz Adriana Beringuy, técnica da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Outro dado destacado na pesquisa foi a queda de empregos com carteira assinada no setor privado. Em relação a maio de 2014, houve 213 mil pessoas a mais desocupadas neste segmento.

Para Nassif, o cenário pode ser atenuado com programa de concessões na área de infraestrutura, lançado pelo governo federal no início do mês. “Ele tem impacto sobre a construção civil, setores de ferro e aço. Mas o sucesso vai depender da capacidade das empresas de conseguir financiamento no mercado de capitais”, afirma.

Ocupados têm renda menor em 2015

Além da ameaça de desemprego, os dados do IBGE trouxeram uma má notícia para o trabalhador. A renda média real (descontada a inflação) de quem está no mercado caiu de R$ 2.229,28 em maio do ano passado para R$2.117,10 neste ano, queda de 5%.

Segundo o professor André Nassif, os salários não estão acompanhando o crescimento da inflação. Outro motivo para a queda é que os trabalhadores perdem margem para negociar em meio à recessão. “Perde poder de barganha. Quem consegue trabalho é obrigado a aceitar salário menor”, diz.

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