Por felipe.martins

Rio - Os trabalhadores não estão conseguindo vencer a inflação em seus acordos salariais. As negociações com os empregadores em junho resultaram em reajustes médios de 7,7%, abaixo dos índices de aumento de preços, segundo levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). No período de 12 meses terminado no mês passado, a inflação pelo INPC foi de 8,8%. Conforme a Fipe, neste caso, os trabalhadores com carteira assinada amargaram perda média de 1% nos salários.

A queda de braço com a inflação vem se repetindo, de acordo com a Fipe. Em abril, as remunerações já registraram perda de 0,6%, desconsiderando a inflação. O cenário nos últimos acabou mudando. Desde maio de 2013, as correções médias oscilaram entre 7% e 9%, o que pelo menos garantia aumentos reais — acima da inflação — de 1,5 a dois pontos percentuais. Com o INPC ultrapassando a barreira dos 7% a partir dos primeiros meses deste ano, os acordos salariais começaram a registrar perdas.

A pesquisa da Fipe analisa dos dados do Ministério do Trabalho. Segundo os números, o pessoal celetista das administrações públicas — que não é estatutário — faz parte do grupo que obteve o maior ganho salarial, de acordo com o levantamento da fundação. Nos 12 meses terminados em junho deste ano, este grupo teve aumentos de 2,7%, acima da inflação.

Pessoal de limpeza urbana e asseio teve ganho real de 2%2C3% em junho%2C segundo levantamento da FipeDivulgação

Depois vêm os segmentos de limpeza urbana e asseio, com alta de 2,3%, condomínios e edifícios com elevação de 2,2% e estacionamentos e garagens (2%). Bancários e trabalhadores dos setores de serviços financeiros ficaram em quinto lugar, com ganho médio real de 1,8%. O setor canavieiro foi o único a registrar perda real em reajustes médios dos últimos 12 meses até junho (- 0,6%).

Queda na redução de vagas

O fechamento de vagas de trabalho com carteira assinada registrou queda de 3,8% em junho em comparação com maio deste ano. No mês passado, o saldo negativo de oportunidades fechadas foi de 111.199, enquanto no período anterior, o resultado ficou em 115.599.

Apesar da queda, mês de junho registrou o pior desempenho do índice de geração de empregos desde 1992, para o sexto mês do ano quando o Ministério do Trabalho passou a contabilizar os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Os dados foram divulgados nesta sexta-feira.

Segundo o ministério, o número é resultante da diferença entre trabalhadores que foram admitidos (1.453.335) e os empregados que perderam o emprego (1.564.534) no mês passado. A indústria foi a responsável pelo maior corte, com perda de 64.228 postos. Conforme o ministério, no primeiro semestre, houve perda de 345.417 postos. Nos últimos 12 meses, o recuo foi de 601.924 vagas.

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