Por karilayn.areias

Brasília - A Caixa Econômica Federal lançou ontem uma linha de crédito imobiliário para que construtoras e incorporadoras possam usar recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para obras de imóveis residenciais de até R$ 300 mil em todo o país. O banco informou que liberou R$ 1 bilhão para este segmento. A iniciativa visa aquecer o mercado imobiliário e fomentar ainda mais o programa habitacional ‘Minha Casa, Minha Vida’.

Bancos públicos têm investido em linhas de crédito para fomentar a construção e a comercialização de imóveis para público de baixa rendaTânia Rêgo/Agência Brasil

Segundo a Caixa, o financiamento para as empresas é de até 80% do valor do empreendimento e limitado a 50% do valor das vendas. As taxas de juros são a partir de 8,5% ao ano.

A linha de crédito anunciada ontem pela Caixa para as empresas do ramo da construção civil vem reforçar o foco social dado pelo banco neste ano de crise econômica. Há pouco mais de uma semana, a Caixa já havia destinado R$ 4 bilhões para financiamento de imóveis de pessoa física pelo sistema pró-cotista do FGTS, para unidades residenciais de até R$ 400 mil.

“Acho que esse novo programa é um complemento do anterior. Não é a solução que o mercado esperava, mas é positivo, é o que dá para fazer agora”, avalia Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi-Rio, que é o sindicato da habitação no Rio.

Ele complementa: “As condições são boas. Apesar de ter um impacto restrito nas vendas, pois não vão atingir um grande número de pessoas, não deixa de ser um benefício para o mercado, pois sinaliza que a Caixa está querendo dar condições do setor voltar a se recuperar”.

Para o professor de Economia do Ibmec-RJ, Alexandre Espírito Santo, a tentativa do governo de fomentar a construção civil é válida porque o setor é conhecido por ser um dos maiores multiplicadores de renda. Mas pondera:

“As pessoas estão começando a perceber que a taxa de desemprego só está começando a subir. Os trabalhadores estão com medo de perder o emprego. Como que nesse cenário o indivíduo que está receoso vai se aventurar em uma dívida? Mesmos as taxas de juros mais favoráveis ainda são altas para uma pessoa que está desempregada”, avalia.

A empresa interessada em participar da linha de crédito da Caixa deve apresentar o projeto de engenharia e documentação no site do banco (www.caixa.GIV.br) área de “downloads”, opção “Documentos para Avaliação de Crédito a Empresas da Construção Civil”.

Correção do FGTS na pauta da Câmara

O governo negocia com o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a votação hoje de proposta alternativa ao projeto que muda a remuneração do FGTS que atualmente é de 3%. A correção passaria a 6%. Para o Secovi-SP, o aumento seria risco de morte para o programa Minha Casa, Minha Vida, que beneficia famílias de baixa renda.

“Se o projeto for aprovado como está, prejudica milhões de trabalhadores, pois eles serão impedidos de ter acesso à casa própria, porque os juros do programa aumentariam substancialmente para aquisição que é paga durante 20, 30 anos pelo mutuário”, explica Flávio Prando, vice-presidente de Habitação Econômica do Secovi-SP.

A ideia do governo é elevar escalonadamente a correção do FGTS nos próximos três anos, para nivelar com as regras da caderneta de poupança em 2018.

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, José Carlos Martins, também apresentou proposta, mas que não foi acolhida por Cunha. O projeto visa dividir os rendimentos do fundo com os trabalhadores.

“Uma parcela da aplicação dos recursos do FGTS voltaria para os empregados e não se aumentaria o custo do projetos habitacionais”, explicou Prando.

Caixa e BB ampliaram crédito imobiliário a pessoa física

Na tentativa de aquecer o mercado imobiliário e de construção, a Caixa Econômica Federal já havia lançado, no dia 24 de julho, um programa de crédito para a compra da casa própria, voltada para pessoas físicas. O banco destinou R$ 4 bilhões para o projeto que visa financiar imóveis pelo sistema pró-cotista do FGTS. O preço das unidades residenciais devem ser de até R$ 400 mil.

Segundo a instituição financeira, os juros variam de 7,85% a 8,85% ao ano, dependendo do grau de relacionamento com o banco. Quem é correntista ou tem conta-salário é beneficiado com taxas menores.

Os trabalhadores com saldo no fundo podem pegar empréstimos para cobrir até 85% do valor da unidade escolhida. Para ter acesso às condições de crédito é necessário ter trabalhado 36 meses com carteira assinada e recolhido o FGTS, de forma consecutiva ou não. O prazo de pagamento é de, no máximo, 30 anos (360 meses).

Três dias antes deste anúncio da Caixa, o Banco do Brasil também ampliou a sua linha de crédito, baseada em contas do FGTS. A estimativa do banco é disponibilizar aproximadamente R$ 1 bilhão para as novas operações. As taxas de financiamento são de 9%.

O BB havia identificado 2,2 milhões de clientes em condições de conseguir crédito imobiliário por essa linha que financia até 90% de imóveis também avaliados em até R$ 400 mil. O prazo máximo é igual, de até 360 meses.

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