Por bferreira

Rio - A economia se transforma refletindo as mudanças da sociedade em geral e, de forma particular, as relações de consumo das pessoas. Quando eu e muitos de vocês éramos crianças não existiam sucos de caixinha, água de coco embalada, pratos prontos congelados, mate em garrafa plástica, iogurte de tudo quanto é tipo, refrigerantes e cervejas de tantas marcas, embalagens e tamanhos diferentes.

Lembro-me que bebia água às refeições e na merenda escolar da velha e boa escola pública, levava limonada ou laranjada. Refrigerante somente em dia de festa, almoços de toda a família em torno da minha bisavó Ninpha ou em aniversários.Hoje, a nova classe média incorporou o hábito familiar de tomar alguma bebida diferente da água em todas as refeições cotidianas.

Essa característica surge como um dos símbolos da ascensão social e econômica do brasileiro nos últimos anos. Agora que a crise econômica se instalou nos lares e vai demorar a ir embora, esses e outros costumes poderiam ser revistos como forma de economizar e ajustar os orçamentos.

Esses dias vi num jornal uma discussão sobre o fato de alguns locais estarem vendendo tangerina descascadas. O cidadão moderno não tem mais tempo para nada e tudo que pode, em geral, prefere consumir pronto ou aquilo que dê o mínimo de trabalho.

Para driblar a crise, uma medida simples e que alivia o bolso é você mesmo fazer e preparar as refeições e as bebidas. Parece que as novas gerações não chupam laranja, não sabem o que é ficar com fiapo de manga preso nos dentes, sentir o gosto de limonada batida no liquidificador e de mate caseiro. É hora de rever os hábitos e de voltar a descascar a tangerina.

Gilberto Braga é professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral

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