Coluna do Aposentado: segurados do INSS continuam na mira das associações

Sindicato alerta para o risco que os segurados do INSS ficam expostos com o assédio das associações

Por O Dia

Rio - Aposentados e pensionistas do INSS continuam como alvos preferidos de associações com a promessa de que vão ganhar ações na Justiça de revisão dos benefícios. Uma leitora da coluna, que pediu para não ser identificada, recebeu uma carta em casa em nome da Associação dos Beneficiários da Previdência Social do Rio de Janeiro (Abeprev). Na correspondência informavam que ela poderia entrar com processo para corrigir o valor da aposentadoria acima do salário mínimo, segundo as regras de reajuste do piso nacional (INPC mais a variação do PIB) e não apenas ter correção pela inflação.

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Mas para que o processo fosse protocolado na Justiça, ela teve que pagar uma taxa de adesão de R$1.896, com a possibilidade de parcelar em dez vezes sem juros no cartão de crédito para se tornar associada. A aposentada fez o pagamento, a associação entrou com três ações, mas os pedidos foram indeferidos pelo juiz.

“Não sei como a associação conseguiu meus dados, como tiveram acesso ao meu endereço. Mas a oferta de entrar com processo acabou despertando o meu interesse. Paguei as dez parcelas, mas não ganhei nenhum processo como eles prometeram e alegaram que eu tinha direito”, reclama com indignação, que por conta disso pediu cancelamento do título de associada. Só que não teve a devolução do dinheiro.

Os casos se repetem em outros estados. Em São Paulo, por exemplo, o presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, ligado à Força Sindical, Carlos Ortiz (foto), alerta para o risco que os segurados do INSS ficam expostos. O Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP) alega que, na maioria das vezes, as teses defendidas pelos advogados dessas associações são infundadas.

“O aposentado que receber carta ou ligação de alguma associação ou escritório, dizendo que tem direito à revisão e com valores a receber, deve ficar atento”, ressalta Ortiz.

Procurada pela coluna, a Abeprev, que mudou o nome para Associação dos Aposentados e Pensionistas do Rio de Janeiro (AAPRJ), informou que “em relação à coleta de dados dos aposentados, eles são fornecidos à instituição a partir do momento em que eles buscam informações no site sobre revisão de benefícios” e que “para este procedimento é necessário a realização de cadastro eletrônico”.

E garante que “em hipótese alguma o aposentado é obrigado a se afiliar”, somente quando o segurado têm interesse em entrar com uma ação.

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