Por fernanda.macedo

Brasília - O dólar opera em alta na manhã desta segunda-feira e renova as máximas em mais de 12 anos, pressionado por preocupações com a situação fiscal do Brasil e temores de que o país possa perder seu selo de bom pagador, mesmo após o Banco Central reforçar sua intervenção no câmbio.

Às 09h30, o dólar avançava 1,76%, a R$ 3,6485. Já às 10h10, subia 1,83%, a R$ 3,6510. Por volta das 11h10, a moeda norte-americana alcançava 2,29%, a R$ 3,6677, após ter atingido a máxima de R$ 3,6805.

"Não há nada de animador, nada de boas notícias. Desde que me entendo por gente, este está sendo um dos piores momentos para o mercado financeiro", disse o superintendente de câmbio da corretora Tov, Reginaldo Siaca.

'Não há nada de animador, nada de boas notícias', disse o superintendente de câmbio da corretora Tov, Reginaldo SiacaReprodução Internet

A imprensa noticiou que a proposta de Orçamento de 2016 que será enviada pelo governo ao Congresso nesta segunda-feira trará projeção de déficit primário para o ano que vem. Investidores entenderam que essa decisão deixaria o Brasil mais próximo de perder seu grau de investimento, o que provocaria intensa fuga de capitais dos mercados locais.

A apreensão com o cenário local somou-se à pressão vinda dos mercados externos, onde o dólar fortalecia em relação às principais moedas emergentes diante de preocupações com a desaceleração da economia chinesa, e levava a moeda norte-americana a saltar em relação ao real mesmo diante da intervenção do BC.

Após o fechamento dos negócios na última sexta-feira, o BC anunciou para esta sessão leilão de venda de até 2,4 bilhões de dólares com compromisso de recompra em 4 de novembro de 2015 e 2 de dezembro de 2015. Além disso, sinalizou que deve rolar integralmente os swaps cambiais, contratos equivalentes a venda futura de dólares, que vencem em outubro.

"O BC não consegue estancar a alta do dólar, e nem quer. Ele quer deixar claro que está ali para fornecer liquidez, mas o problema agora não é de liquidez, é de fundamentos", disse o superintendente de derivativos de um importante banco nacional.

Você pode gostar