Gilberto Braga: Vale a pena comprar no atacado?

Se os preços não caem no país, é preciso pesquisar para economizar, mas com inteligência

Por O Dia

Rio - Mais um sinal de que a inflação voltou para assustar o consumidor brasileiro é o resultado de uma pesquisa feita pela Proteste Associação de Consumidores, que constatou que comprar por atacado pode gerar uma economia, em um ano, no Rio de Janeiro, de R$ 2.119,43 (a maior variação do país), numa cesta de 104 produtos. Numa mesma rua da Tijuca, a poucos metros um do outro, a diferença de preços entre duas redes de supermercado chegou a 28%. A economia é grande, impressiona e faz diferença no bolso da gente.

Desde a época da hiperinflação, no período pré-Plano Real eu não ouvia falar em pesquisa de compra por atacado. As pessoas abarrotando as dispensas, freezers e armários com quantidades enormes do mesmo produto, num estoque doméstico que dura uma eternidade.

Pesquisar os preços é a primeira e mais básica de todas as regras na hora de comprar qualquer coisa, mas nas compras por atacado pode não ser bem assim. Outros cuidados também devem ser lembrados. O primeiro deles é que quem compra quantidades maiores vai despender mais dinheiro na frente. Ou seja, você tem um desembolso de dinheiro maior porque o preço unitário menor é consequência de grande volume adquirido. Você gasta mais para pagar menos por unidade.

Outra diferença é que a maioria das novas construções dos últimos anos encolheu os lares de tamanho. Boa parte dos imóveis não tem mais espaço para uma dispensa de produtos. Algumas nem cabe um freezer, que tem que ser acoplado na geladeira. Nestes casos, vai guardar os produtos aonde? Por exemplo, um fardo de papel higiênico folha dupla pode sair o rolo por menos de R$ 1, mas será que o seu banheiro ou outro lugar da casa comporta guardar 64 unidades? As famílias também encolheram de tamanho, a maioria não tem mais muitos filhos e as quantidades podem se tornar exageradas. A mortadela líder de mercado pode ser comprada no atacado, em peça inteira de 1 quilo, por R$ 7,19 (cada 100 gramas sai a R$ R$ 0,79), menos da metade do preço do supermercado comum e menos de um terço do preço da padaria da esquina. Se você não tem como congelar, será que você vai aguentar comer mortadela todo dia até acabar tudo, em poucos dias, antes dela se deteriorar depois de aberta?

Se os preços não caem no país, é preciso pesquisar para economizar, mas com inteligência, pois o barato pode sair caro, como já diziam os nossos pais.

Gilberto Braga é professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral

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