Gilberto Braga: Fiado volta a ser usado por causa da crise

A inflação alta reedita velhos hábitos como a venda fiado nos pequenos comércios

Por O Dia

Rio - Quem já entrou num botequim tradicional do Rio já viu uma plaquinha pendurada com o aviso: fiado só amanhã. Pois o fiado agora está voltando à prática diária da economia carioca e brasileira.

A inflação alta reedita velhos hábitos como os dos pequenos comércios de bairros, que sempre vendiam de tudo, mas com um preço sempre um pouco mais alto do que nos grandes supermercados. A novidade é que esses estabelecimentos voltaram a praticar o fiado, que é o ato de vender sem receber na hora, anotando e acumulando as compras de cada cliente, para fazer o acerto mais ou menos a cada 30 dias. Normalmente quando o cliente recebe o salário ele faz o pagamento total ou parcial das compras acumuladas no período.

O termo fiado deriva de fiador, de confiança, ou seja, da credibilidade do comprador junto ao comprador, por isso é adotado em pequenos negócios de bairro ou de rua, em que as pessoas se conhecem, se respeitam e confiam uma nas outras.

Em época de automação tecnológica, maquinas de débito e crédito, uma característica curiosa é que muitos comércios voltaram a usar o velho caderno com anotações manuais para controlar as compras fiadas. Alguns adotam, adicionalmente, um bloquinho de notas com folhas carbonadas para o cliente assinar e cada parte ficar com uma via de controle da venda fiada.

O pequeno negócio vende mais caro do que a média do comércio, mas para muitos é uma forma de não usar o cartão de crédito no grande supermercado, principalmente quando já sabe que o orçamento está furado e que os juros do atraso são muito mais altos do que o acréscimo nos preços das transações fiadas.

Gilberto Braga é professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral

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