Por bferreira
Publicado 24/11/2015 23:22 | Atualizado 24/11/2015 23:27

Rio - As redes sociais (tipo Facebook, Twitter etc) nos dão um poder de comunicação tão grande que, mesmo sem perceber, podemos prejudicar pessoas que nem sabemos quem são. Esse é o alerta do livro “Humilhado — Como a era da internet mudou o julgamento público”, do britânico Jon Ronson, que acaba de chegar ao Brasil. Ele conta casos sinistros de maldade coletiva provocados pela nossa inocência. Ou ignorância.

Muito cuidado com as críticas que publicamos. Podem ser irremediavelmente injustas Arte O Dia

Segundo Ronson, na internet tendemos a encarnar facilmente o papel de juízes dos vacilos alheios. Mas a verdade é que nem todos temos base ou moral para ser justos, e podemos provocar reações perigosas e irreversíveis. Basta ver a opinião de Ted Poe, um juiz norte-americano muito rigoroso, cujas penas são frequentemente confundidas com peças de humilhação pública dos condenados. Ele reconhece que o sistema judiciário tem problemas, mas pelo menos dá o direito de defesa ao acusado. “Porém, quando (alguém) é acusado na internet, não tem direito algum. E as consequências são piores”, diz o juiz.

As consequências vão desde a perda do emprego, o fim de relacionamentos e até mesmo o suicídio provocado pela humilhação em larga escala. Ronson relata vários casos cruéis dessa nossa fúria coletiva por fazer justiça. No fim, a moral da história é: 1. Tenhamos muito cuidado com o que publicamos. Não estamos sós no planeta e, como nem todo mundo tem o mesmo grau de percepção, é bom deixar claro quando estamos brincando ou falando a verdade. Chato pacas, mas o mundo está ficando assim mesmo.

2. Muito cuidado com as críticas que publicamos. Podem ser irremediavelmente injustas. A propósito, lembrei de um caso aqui do site do DIA. Há duas semanas, uma das nossas notas dizia que a eterna Vera Fischer fora vista sem maquiagem, surpreendendo seus fãs porque, afinal, o tempo passa... É o tipo do assunto de que muita gente gosta — assumidamente ou não. Quando a nota caiu no Facebook, entretanto, começou a ser muito criticada e, por isso mesmo, essa notícia (?) de interesse tão restrito ganhou muito mais visibilidade do que se ninguém tivesse reclamado dela. A audiência do site quintuplicou.

A experiência mostrou que o silêncio é a melhor reação a notícias que nos pareçam descabidas. Pessoalmente, acho que republicar notas da internet me preocupa mais, por exemplo, quando ampliamos a voz de políticos que, aproveitando-se da inconsciência dos palpiteiros online, beneficiam-se muito da propaganda gratuita.

Bom pensar nisso. Enfim, nem me cabe comentar se a nota sobre a Vera Fischer era relevante ou não, mas acreditem: muita gente lê fofocas online sem assumir isso publicamente. Aqui me cabe mostrar apenas que, supostamente criticando uma bobagem, damos muito mais destaque a ela. No caso da nota da Vera sem maquiagem, a repercussão foi tão grande que uma matéria sobre ela publicada há cinco meses, já esquecida, também voltou a registrar altos índices de audiência, durante vários dias.

>>> A Bolsa de Ativos ambientais do Brasil (BVRio) lançou ontem um aplicativo que promete ajudar operadores estrangeiros e compradores de madeira brasileira a se certificarem de que o produto não foi obtido ilegalmente. Há versões para computadores (timber.bvrio.org), Android e iOS.

e-mail: nelson.vasconcelos@odia.com.br

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