Por bferreira
Publicado 28/11/2015 01:03 | Atualizado 28/11/2015 02:59

Rio - O programa de Investimento em Logística (PIL) 2, lançado pelo governo em junho deste ano, prevê R$ 198, 4 bilhões de desembolsos na construção e modernização de aeroportos, portos, ferrovias e rodovias. A meta pode soar ambiciosa à primeira vista, mas o comportamento da demanda por serviços de transporte nos últimos anos deixa otimistas as autoridades e empresários reunidos no 2º Forum de Infraestrutura de O DIA.

Ministro Helder Barbalho%2C de pé%2C previu para o mês que vem anúncio do Plano Nacional de Logística Portuária%2C focado na atração de investimentos privados para o segmentoJoão Laet / Agência O Dia

Presidente do Conselho de Infraestrutura da Firjan, Mauro Viegas Filho identifica um potencial ainda maior em oportunidades para o setor privado: R$ 703 bilhões, dos quais R$ 403 bilhões em estudos e projetos já formatados. O essencial para se tirar do papel cifras tão ousadas é transformar a logística numa política de Estado, capaz de sobreviver a uma mudança de governo.

“O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, estimou em 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços ofertados no país em um ano) o efeito multiplicador do PIL 2. Os demais projetos, que somam R$ 703 bilhões, alavancariam 0,88% do PIB”, disse Viegas Filho.

Chefe da Secretaria de Portos da Presidência da República, o ministro Helder Barbalho sustenta que a atividade portuária está crescendo 4,8% este ano. O desempenho chama atenção, num momento em que a economia completa cinco trimestres seguidos de recessão. O fôlego da demanda por transportes, num período difícil como o atual, permite ao governo manter o anúncio do Plano Nacional de Logística Portuária, para o mês que vem. “O plano prevê investimentos até 2042, para atender crescimento de 103% na demanda em pouco mais de 20 anos,” explica.

Programa de Investimento em Logística 2Arte O Dia

O horizonte mais longo de planejamento, mesmo quando a conjuntura desfavorável torna duvidosa até a semana que vem, está no DNA do setor de logística. Quem explica é o superintendente-executivo da Agência Nacional de Transportes Terrestres, Luis Cláudio Santana Montenegro.

“Fila de caminhões nos portos e de gente nos aeroportos é sinal de que não se planejou direito,” compara.

A evolução das concessões de rodovias ajuda a alimentar o otimismo. Na primeira leva de concessões, que incluiu a Nova Dutra (Rio-São Paulo) e a Ponte Rio-Niterói, foram licitados 1.316 km em seis trajetos, com pedágio médio de R$ 10,40. De 2011 a 2014, a fase mais recente, foram 5.350 km em sete rodovias, com a tarifa média caindo para R$ 3,50, um terço da média do início do programa.

Gastos em aeroportos decolam

O Plano de Concessões decolou com ainda mais velocidade nos aeroportos. Até 2011, nada menos de 99% da movimentação de passageiros e cargas aéreas ocorria em terminais sob controle da Infraero. A demanda triplicou entre 2003 e 2014, pulando de 70 milhões para 210 milhões de passageiros anuais.
Não por acaso, o ágio nos leilões chegou a 300%, e os valores pagos pelas licenças chegaram a R$ 45,54 bilhões. Os investimentos em terminais passaram de R$ 15 bilhões entre 1995 e 2010 para R$ 15,6 bilhões entre 2011 e 2014.

A face mais visível dessa recuperação no Rio é a ampliação do aeroporto do Galeão, terceiro do país em movimento, que contará com um novo terminal e 59 novas pontes de embarque até março do ano que vem, a tempo de receber o público dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Nos portos, a fatia de investimentos do Estado do Rio chegará a R$ 7 bilhões, nas projeções do governo. A capacidade dos terminais portuários fluminenses vai aumentar 62,06 milhões de toneladas anuais, comportando em paralelo uma movimentação de pelo menos 233,2 mil passageiros a mais.

Do total de cargas, as prorrogações contratuais responderão pelo maior pedaço, com R$2,837 bilhões em investimentos, divididos entre seis investidores e quatro cidades: Rio, Niterói, Angra e Itaguaí.

Leilão de estradas ganha velocidade

A nova fase das concessões de rodovias prevê R$ 66,1 bilhões em investimentos. A meta do governo é concluir 16 leilões em 2016, tendo iniciado cinco este ano. São 2.603 km em sete estados, com desembolsos previstos de R$ 19,6 bilhões em investimentos.

Desde o início das concessões, há 20 anos, foram 21 licitações de trechos rodoviários, com um total de pouco menos de dez mil km.

A maior parte dos trechos foi licitada nos últimos quatro anos, quando o plano de concessões ganhou velocidade. Nos últimos quatro anos, foram transferidos à operação privada 5.350 km, bem mais do que nos 15 anos anteriores.


Essa comparação faz com que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) preveja uma expansão significativa da participação privada nos investimentos em logística. 

Reportagem de Cezar Faccioli

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