Por karilayn.areias
Publicado 16/12/2015 15:10 | Atualizado 17/12/2015 00:04

Rio - O Brasil passou a ser considerado um mau pagador e um país que apresenta risco para investimentos. A agência de classificação de risco Fitch retirou o grau de investimento, com rebaixamento da nota de crédito da dívida do país. A nota passou de “BBB-” para “BB+” e também foi colocada em perspectiva negativa.

O grau de investimento é conferido a países considerados bons pagadores e seguros para investir. A classificação foi concedida pela Fitch em 2008, durante o segundo mandato do governo Lula.

Fitch tirou o selo de bom pagador do Brasil REUTERS/Brendan McDermid

De acordo com a Fitch, o rebaixamento é reflexo da recessão econômica mais profunda do que se esperava, do cenário fiscal adverso e do crescimento da incerteza política, que pode afetar a capacidade do governo de implementar ajustes para estabilizar a crescente dívida pública.

A decisão veio um dia depois de o governo da presidente Dilma ter alterado a meta de superávit primário do setor público consolidado de 0,7% para 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016. A classificação de risco por agências estrangeiras é medida de confiança dos investidores internacionais na economia dos países. As notas servem como referência para juros de títulos públicos, que representam o custo para o governo pegar dinheiro emprestado dos investidores.

Essa é a segunda agência de classificação de risco a retirar o grau de investimento do Brasil. Em setembro, a Standard&Poor’s (S&P) reduziu a nota de crédito do país. Quando duas agências retiram o grau de investimento, fundos estrangeiros têm que resgatar recursos aplicados no país.

Após o rebaixamento da Fitch, os ministérios da Fazenda e do Planejamento divulgaram nota reagindo à medida. A Fazenda informou que a retirada do grau investimento “remete às dificuldades oriundas do ambiente político e da capacidade e da determinação do governo em implantar medidas para corrigir o déficit orçamentário de 2016, por meio de políticas voltadas a resultados fiscais consistentes com uma trajetória mais benigna de endividamento público”.

Mais cedo Levy tinha reagido negativamente à decisão do governo de reduzir a meta de superávit primário, dizendo que tinha ficado “ligeiramente ofuscado”, o que reforçou boatos sobre sua possível demissão do cargo.

Já a nota do Planejamento destacou que a mudança na classificação de risco do Brasil por agências “não altera a perspectiva de reequilíbrio fiscal e a recuperação da economia brasileira a médio prazo, bem como a segurança e a confiabilidade dos títulos públicos brasileiros”.

Você pode gostar