Economista sugere mudança de hábitos para pagar contas domésticas

Na cozinha, a batata inglesa pode ser substituída pelo inhame e a carne pelo frango, por exemplo

Por O Dia

Rio - Como se virar com tantos aumentos? Segundo o economista e professor do Ibmec, Gilberto Braga, a solução é a mudança de hábitos para equilibrar as contas domésticas.

“A perspectiva para este ano ainda é de inflação alta, ainda que menor que a de 2015, e, diante deste quadro, o jeito é apelar para a criatividade”, declarou.

Para não deixar a inflação sangrar o bolso, Braga orienta: “Se a pessoa tiver possibilidade, deve deixar o carro em casa e também abdicar do transporte público, que está caro. O uso de bicicleta e a carona solidária são alternativas”.

Na cozinha, a batata inglesa pode ser substituída pelo inhame e a carne pelo frango, por exemplo. 

Inflação oficial de 2015 ficou em 10,67%, maior índice desde 2002

O brasileiro terá que se desdobrar devido ao aumento do custo de vida. Com a inflação oficial de 2015 atingindo 10,67%, pelo IPCA, o maior valor em 13 anos, segundo o IBGE, e bem acima do teto da meta do governo, de 6,5%, será necessário mudar hábitos e apelar para a criatividade. Os preços de energia elétrica e combustíveis, além do transporte e alimentação, foram os que mais pressionaram a alta. E, segundo especialistas, a perspectiva para este ano não é nada animadora.

A inflação oficial é medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em 2014, fechou o ano em 6,41%, abaixo da meta fixada pelo governo, de 6,5%. O índice de 2014 já havia registrado a mais alta desde 2011.

O IPCA de dezembro de 2015 variou 0,96% e ficou 0,05 ponto percentual abaixo do índice de novembro (1,01%). Apesar do recuo, foi o maior registrado no mês desde 2002 (2,10%). Em dezembro de 2014, a taxa foi de 0,78%.

Com aumento de 51% nas tarifas, a energia elétrica residencial foi a grande vilã da inflação (impactando em 1,5 ponto percentual a taxa), acompanhada da gasolina, que teve alta de 20,15% em 2015 (representando 0,76 ponto percentual do indicador). Foi o maior impacto na medição do índice na análise individual de itens.

Coordenadora de Preços do IBGE, Eulina dos Santos ressalta que o reajuste de 6% da gasolina no fim do ano pressionou a taxa.

“Além disso, nos três últimos meses, esse aumento repercutiu não só pelo reajuste, mas também pela pressão do etanol, que teve uma alta forte. Isso influenciou a composição da gasolina, já que 27% da mistura é de responsabilidade do etanol”.

Entre os nove grupos analisados (Alimentação e Bebidas, Habitação, Artigos de Residência, Vestuário, Transportes, Saúde e Cuidados Pessoais, Despesas Pessoais, Educação e Comunicação), o primeiro teve o maior peso na inflação, com alta de 12,03%.

Itens tradicionais da cozinha também subiram. A cebola ficou 60,61% mais cara e o tomate 47,45%. A batata inglesa também teve alta de 34,18% e o feijão-carioca 30,38%. O preço da carne também ficou mais salgado, com alta de 12,48%,

“A chuva no Sul e os custos de energia, frete e combustível prejudicaram os produtores”, disse Eulina.

Na análise individual dos itens, a refeição também impactou a inflação. O subitem vem depois da energia e da gasolina, com alta de 9,71%, responsável por 0,51 p.p da taxa.

Em seguida, está o aumento de 12,15% do plano de Saúde (0,4 p.p.), de 15,09% do ônibus urbano (0,37 p.p.), de 12,48% do preço da carne (0,36 p.p), 8,35% do custo com empregado doméstico (0,34 p.p.), 7,83 % do aluguel (0,32 p.p), 29,63 % do etanol (0,25 p.p.) e 22,55% do gás de botijão (0,25 p.p.).

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