Coluna do Aposentado: Palco da reforma tem que ser fórum e não 'Conselhão'

Representantes de centrais e sindicatos que participaram da reunião discordam da possibilidade da reforma entrar na pauta do conselho

Por O Dia

Rio - O espaço para discutir a reforma da Previdência não é o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, mas sim o Fórum de Debates sobre Políticas de Emprego, Trabalho e Renda e Previdência Social. Este foi o recado que sindicalistas deram ao governo após a abordagem do tema feita pela presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, na retomada das atividades do “Conselhão”, na última quinta-feira.

Sindicalistas defendem que fórum foi criado justamente para discutir a reforma da PrevidênciaDivulgação

Representantes de centrais e sindicatos que participaram da reunião discordam da possibilidade da reforma entrar na pauta do conselho que reúne 92 integrantes do setor empresarial, sindical e da sociedade civil. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, Rafael Marques, demonstrou preocupação de a discussão ser feita fora do ambiente que ele considera propício para o debate.

Segundo Marques, a discussão não deve ser feita no “Conselhão”, por não ser a instância mais adequada. “Já temos um fórum permanente, que tem todas as informações e toda a memória dessa discussão (sobre a reforma)”, opina. Já o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, não gostou da iniciativa do governo de apresentar a reforma da Previdência como uma das pautas do conselho.

Para Freitas, é preciso que o governo defina o que realmente quer fazer sobre o assunto. Mas destacou a importância da primeira reunião que restaurou o “Conselhão”, considerado por ele um espaço importante de discussão para o país e de construir consensos em torno de medidas que possam ajudar a superar a crise e gerar um projeto de desenvolvimento. Freitas reforçou que reforma previdenciária deve estar na pauta do fórum, que foi criado justamente para lidar com o tema.

A presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira Leite (foto), destacou que as propostas de reforma devem ser deixadas para uma discussão posterior. Para Juvandia, o problema maior do país atualmente não é a Previdência Social. Ela afirma que a economia, a ausência de crescimento e o desemprego são temas mais urgentes que precisam ser tratados neste momento pelo governo.

Também defende que a Previdência e todas as questões referentes ao sistema de aposentadorias necessitam ser tratadas e debatidas profundamente com a sociedade no fórum, garantindo todos os direitos. “A reforma, a nosso ver, não tem que ser prioridade porque não vai resolver o problema do Brasil agora”, afirmou.

Futuras gerações

Para Rafael Marques, dos Metalúrgicos do ABC paulista, os trabalhadores não vão aceitar a redução de direitos adquiridos. Ele defende que a reforma seja feita para as futuras gerações, a partir de uma nova situação do mercado de trabalho e da população em geral. “Questões como idade e tempo de contribuição podem se modificar ao longo do tempo”, afirma.

Direitos garntidos

Em seu discurso na retomada do “Conselhão”, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, enfatizou que qualquer alteração a ser feita nas regras do sistema previdenciário do país não vai prejudicar os trabalhadores com direitos adquiridos. O ministro garantiu que haverá regras de transição para que as mudanças aprovadas sejam feitas gradualmente.

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