Fábrica vai construir 250 escolas de turno único

Zonas Oeste e Norte serão priorizadas com unidades que se destacam em tecnologia

Por O Dia

Rio - Um ambiente moderno, onde crianças terão salas de aula climatizadas, recursos interativos e turmas reduzidas. Com a promessa de entregar ao Rio, até 2016, 250 unidades de ensino da rede municipal funcionando em turno único — sete horas diárias —, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, tirou do papel e lançou ontem o programa Fábrica de Escolas do Amanhã.

O aviso de licitação para construção das primeiras 109 delas também foi publicado. A iniciativa prioriza áreas carentes. A Zona Oeste será a principal: ganhará 84 novos espaços, e a Zona Norte, 25. O primeiro lote das obras nessas regiões está avaliado em R$1,4 bilhão. Ao todo, elas custarão cerca de R$ 2,1 bilhões.

Escolas oferecerão atividades educacionais para alunos em turno único%2C permitindo que as mães trabalhem fora despreocupadamenteEstefan Radovicz / Agência O Dia

Com o projeto, a prefeitura pretende cumprir a meta de 35% dos alunos estudando no turno único. Para entregar as 250 escolas, a Secretaria Municipal de Educação está contando com a construção de 134 pela fábrica, mais 39 já em andamento — fora do programa —, e 77 existentes que passarão por adaptação. As 109 já anunciadas ficam prontas em 2015.

Áreas vulneráveis

“As Escolas do Amanhã, criadas em 2009, são voltadas a alunos de áreas com vulnerabilidade, com domínio do tráfico ou milícia. Vamos ampliar com a Fábrica de Escolas”, declarou a secretária Cláudia Costin, que junto com Paes e o chefe da Casa Civil, Pedro Paulo Teixeira, lançou a ‘Fábrica’. “Não são só prédios, elas têm recursos a mais. O processo de ensino é mais dinâmico, mais computadores, mais recursos para o ensino de ciências e metodologia interativa”, completou.

Para o prefeito Eduardo Paes, a tecnologia será aliada ao ensino. “Se não acabarmos com a exclusão digital, essas crianças crescerão com desvantagem. Enquanto não dermos qualificação, os outros vão continuar nos grampeando, e não nós grampeando os outros”, ironizou.

Segundo a secretaria, alunos do 9º ano das 152 Escolas do Amanhã já existentes — com turno único — tiveram melhor desempenho na Prova Brasil: melhoria de 33%, enquanto as outras apresentaram melhoria de 22%.

Paes lançou o programa ao lado de Pedro Paulo e Cláudia CostinEstefan Radovicz / Agência O Dia

Reivindicações do Sepe ainda em pauta

Depois da primeira greve da rede em 19 anos — e que durou 34 dias — e as negociações com o Sindicato dos Profissionais de Educação (Sepe), Paes rebateu uma das principais reivindicações da categoria: o fim da meritocracia.

“Não há hipótese para acabar. Podemos flexibilizar, mas vamos avaliar as escolas. Todos somos testados na vida, eu sou nas urnas, e a rede municipal de ensino também tem que ser”, decretou.
Já Costin afirmou que foi aberto um diálogo: “Foram levantadas reivindicações e houve diálogo rico. Oferecemos aumento real, além do Plano de Cargos e Salários que enviaremos na segunda à Câmara”.

O modelo de Brizola

Quando se fala em ‘Fábrica de Escolas’, o projeto do ex-governador Leonel Brizola, na década de 1980, é referência. Criador dos Cieps, junto com Darcy Ribeiro, Brizola batia na tecla da Educação em seus discursos e também na prática. Construiu mais escolas em tempo integral.

A ideia era que as crianças passassem o dia nas escolas, com aulas e atividades extraclasse. Já o turno único propõe sete horas de aula, com maior carga de Português e Matemática.

Últimas de _legado_Educação