Por thiago.antunes

Rio - O prefeito Eduardo Paes, em reunião nesta terça-feira com conselhos de pais de alunos, professores, funcionários e diretores das escolas da rede municipal de ensino, afirmou que vai cumprir a ordem judicial publicada nesta segunda-feira, que determina o corte no ponto dos professores a partir do dia 3 de setembro. No entanto, como os profissionais já receberam os vencimentos do mês, Paes não especificou como fará o corte. "Não é nem decisão minha, a justiça que decidiu isso ontem (segunda). É um processo administrativo normal, não precisa nem fazer nada. A diretora da escola comunica a ausência à Secretaria de Educação, que comunica na folha, preenche no sistema e ausentes não recebem", disse, enfático.

Perguntado se a solução para a greve era o corte dos pontos, o prefeito negou. "O caminho para o fim da greve era que formalmente os dirigentes sindicais não radicalizassem tanto e não colocassem em pauta o que eles sabem que a gente não vai cumprir. Eu não espero mais muita coisa do sindicato. Os dirigentes sindicais são muito radicalizados, exigem revogação de aumentos, que eu retire secretários, então fica muito dificil o diálogo. O que a gente quer são os professores retornando às salas de aula.", afirmou.

Sobre o Plano de Cargos, Carreiras e Salários aprovado na Câmara, o prefeito elogiou a medida, mas disse que o documento não é perfeito. "O plano é muito bom, não é tudo que se quer, nem dá pra dar tudo o que se quer. Eu adoraria dar tudo, mas aí tem que pagar a conta. Não adianta dar uma coisa e no dia seguinte eu não pagar", relatou.

Prefeito afirmou que vai cumprir ordem judicial que corta ponto dos professoresEstefan Radovicz / Agência O Dia









O encontro começou às 10h no Palácio da Cidade, em Botafogo. Sobre a manifestação desta segunda-feira, que acabou terminando com a sede da Câmara Municipal pichada e depredada, além de danos à cidade, o prefeito culpou os vândalos e afirmou que o ato dos professores não teve nada a ver com o quebra-quebra generalizado. Paes disse ainda que não receberá representantes do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), que fazem nesta tarde reunião no Clube Municipal, na Tijuca, Zona Norte do Rio, para definir os rumos do movimento. A paralisação da categoria começou no dia 8 de agosto.

A secretária de Educação, Claudia Costin, segue no cargo. No sábado, como forma de aprofundar o diálogo com todos os setores impactados pela greve dos professores, o prefeito e os secretários da Casa Civil, Pedro Paulo, além de Costin, participaram de um encontro com representantes dos conselhos de pais e de diretores. 

De acordo com o vereador Jorge Fellipe%2C 400 black blocs atacaram a CâmaraCarlos Moraes / Agência O Dia

'Por pouco a Câmara não foi incendiada', diz vereador Jorge Felippe

Presidente da Câmara Municipal, o vereador Jorge Felippe (PMDB) comentou nesta terça-feira os ataques sofridos pela Casa durante os atos de vandalismo desta segunda à noite. De acordo com ele, o Palácio Pedro Ernesto, na Cinelândia, foi atacado por cerca de 400 black blocs que tentaram ainda incendiar a sala do cerimonial e o gabinete da Coordenadoria Militar de Segurança.

"Por pouco a Câmara não foi toda incendiada. Tentaram a todo custo invadir o prédio, que foi gloriosamente defendido pela segurança da Casa e guarda municipal. Não atribuo esses atos aos profissionais da educação, que já fizeram outras manifestações de forma pacífica", disse Felippe, que pediu apoio ao comandante-geral da PM, José Luiz Castro Menezes, por volta das 19h30. "No momento de maior confronto solicitei reforço para manter a integridade da Casa".

Após protesto%2C Câmara amanheceu com a fachada pichadaCarlos Moraes / Agência O Dia

Os trabalhos foram cancelados nesta terça-feira para realização de perícia e avaliação dos danos. No chão do predio podem ser vistos objetos como bolas de gude, pedras portuguesas e extintores de incêndio, que foram atirados pelos radicais.

Segundo o presidente do legislativo municipal, os vândalos se organizaram para tentar dificultar a ação da PM. "A ação dos black blocs foi dispersa. Eles atuaram em várias partes da cidade simultaneamente. Isso acabou desarticulando um pouco o controle da polícia", afirmou Felippe, que ainda comentou a aprovação do novo Plano de Cargos e Salários na Câmara, que gerou revolta dos profissionais de educação.

"Eles (professores) querem salário equivalente aos ministros do STF. Por mais que mereçam, a cidade do Rio não tem dinheiro para pagar o que a categoria pede", destacou.

Manifestantes tentaram invadir a Câmara dos VereadoresAgência Brasil

Rastro de destruição no Centro assusta e comerciantes contabilizam prejuízos

A região do Centro amanheceu com sinais de destruição na manhã desta terça-feira após o protesto realizado na noite desta segunda. Apenas na Avenida Rio Branco, 23 agências bancárias foram depredadas nos atos de vandalismo. Caixas eletrônicos foram depredados e vidros e portas quebradas. Na manhã desta terça, garis tentam remover as pichações na Câmara Municipal e funcionários de bancos, lojas e até bancas de jornal contabilizam os prejuízos.

Quem chegava ao trabalho nesta manhã se mostrava chocado com o rastro de destruição deixado por vândalos que participaram do protesto. O administrador de empresas João Fausto, de 40 anos, foi até uma agência do Banco do Brasil na Avenida Treze de Maio, onde apenas um, dos 10 caixas eletrônicos, funcionava.

Agência bancária é periciadaCarlos Moraes / Agência O Dia

"As pessoas têm direito de se manifestar, mas não podem quebrar o patrimônio privado. Fiquei chocado hoje (terça) de manha quando cheguei no Centro e vi toda essa depredação", disse.

Em algumas agências era possível ler mensagens deixadas pelos vândalos como "CV poder do povo" e "o banco quebra o povo". A agência empresarial do Sebrae, Cora Duarte, de 24 anos, fotografava os estragos. "Não concordo com esse tipo de manifestação. Temos o direito de reivindicar, mas não dessa forma", afirmou.

Depredação prejudica volta para casa

Uma loja de operadora de celular que fica no térreo do prédio sede do Consulado de Angola foi destruída e furtada. Durante o protesto, um ônibus foi incendiado na Rua Santa Luzia e passageiros de diversos coletivos, colocados para fora. Radicais tentaram atear fogo em veículos.

A depredação prejudicou centenas de pessoas que queriam voltar para casa. "Quero ir para a Ilha do Governador e não consigo", contou a promotora de eventos Viviane Mendes Ribeiro, de 24 anos.

Ato termina em destruição

Por volta das 20h desta segunda, grupos de radicais encapuzados do grupo Black Bloc iniciaram depredações em ruas próximo à Câmara dos Vereadores, na Cinelândia. O prédio Pedro Ernesto foi pichado e as vidraças quebradas. Um ônibus foi incendiado na Rua Santa Luzia e passageiros de diversos coletivos, colocados para fora. Radicais tentaram atear fogo em veículos.

Mais cedo, Tribunal de Justiça negou recurso dos professores municipais contra a liminar que determinou o retorno às salas de aula. Por maioria de votos, o Órgão Especial do TJ negou pedido do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio (Sepe-RJ).

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