Em assembleia, profissionais da Educação decidem continuar greve

Professora afirma que três homens da Polícia Federal revistaram a casa de sua mãe, de 65 anos, com mandado de busca e apreensão. Uma tablet foi apreendido

Por O Dia

Rio - Os profissionais da Educação decidiram dar continuidade à greve após assembleia realizada na tarde desta terça-feira no Clube Municipal, na Tijuca, na Zona Norte. A reunião teve a presença de membros do Sindicato dos Profissionais da Educação (Sepe) e cerca de 5 mil professores. A próxima assembleia para decidir os rumos do movimento da rede municipal está marcada para o dia 22 de outubro. 

Alex Trentino, coordenador geral do Sepe afirma que o sindicato conta com a "boa vontade do prefeito Eduardo Paes para reabrir as negociações", já que o plano de cargos e carreiras que foi votado na Câmara dos Vereadores foi anulado. Os integrantes do sindicato também contam com um abaixo-assinado realizado pela classe artística, que será entregue à prefeitura. 

Uma reunião com coordenadores do Sepe e com o comando geral da Polícia Militar, no quartel general da corporação, também foi realizada na manhã desta terça. Representantes do governo federal e estadual e do Ministério Público se reuniram com os profissionais da categoria para discutir sobre os atos de violência que vem ocorrendo nas últimas semanas durante os protestos da classe.

A polícia comunicou que irá revistar pessoas se houver alguma atitude suspeita e informou que não vai tolerar atos de vandalismo e violência.

Cerca de 100 manifestantes já se concentram na parte de trás da Igreja da Candelária, no Centro, por conta do ato previsto para às 17h em direção à Cinelândia. O trânsito na via segue liberado e sem retenções. 

Profissionais da Educação decidem continuar greve Fabio Gonçalves / Agência O Dia

Polícia Federal revista casa de mãe de professora

A professora Ana Cristina Alves, que faz parte do comando de greve da rede estadual de ensino, afirma que a casa de sua mãe, de 65 anos, no bairro Pechincha, na Zona Oeste, recebeu a visita de três policiais federais para cumprirem mandado de busca e apreensão contra a professora por supostos crimes de informática e associação com os grupos Black Blocs e Anonymous.

Na operação, o tablet da mãe de Ana Cristina foi apreendido. Um registro foi feito na Cidade da Polícia no mesmo dia por conta da apreensão.

A professora nega associação com os grupos. "Eu não tenho envolvimento com Anonymous e Black Blocs, embora seja simpatizante do movimento. Tudo que eu fiz foi curtir a página deles no Facebook".

Centro se prepara para manifestação de professores

Fachadas de agências bancárias do centro da cidade foram reforçadas com tapumes e chapas metálicas por causa de nova manifestação de professores em greve marcada para a tarde desta terça-feira. Pela manhã, funcionários da Câmara Municipal instalavam grades de ferro nas portas e nas janelas da Casa, enquanto guardas municipais reforçavam a segurança.

Funcionários reforçam portões da Câmara dos VereadoresTânia Rêgo/ABr

A Rua Evaristo da Veiga, entre a Avenida República do Paraguai e a Rua Senador Dantas, e a Avenida República do Paraguai, na altura da Rua Senador Dantas, já estão interditadas.

Os profissionais farão uma passeata a partir das 17h, pela Avenida Rio Branco, em direção a Câmara de Vereadores, na Cinelândia. A coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionas de Educação (Sepe), Susana Gutierrez disse que a expectativa é a de que pelo menos 50 mil pessoas estejam presentes no ato desta terça-feira.

Equipes do Ministério Público Estadual acompanharão o ato e registrarão o comportamento de manifestantes e policiais militares. Segundo a Polícia Militar, o policiamento será reforçado na região.

Na última segunda-feira, uma passeata que contou com milhares de pessoas na Avenida Rio Branco terminou em confronto no centro da cidade. Alguns manifestantes destruíram agências bancárias, além de lojas, sinais de trânsito, lixeiras e pontos de ônibus.

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