Por nara.boechat
Rio - A decisão de abrir as portas do secular Colégio de São Bento, no Centro do Rio, para receber meninas esbarra nos monges beneditinos do Mosteiro de São Bento, mantenedor da única escola exclusiva para meninos no Brasil. Um dia após a escola anunciar a presença feminina em suas salas de aula a partir de 2015, o abade do mosteiro, dom Filipe da Silva, foi mais cauteloso e afirmou que a mudança precisará ainda ser discutida pela Comunidade Monástica e aprovada pelo Conselho de Monges.
Alunos do Colégio de São Bento que tiveram as melhores notas do Rio no EnemEstefan Radovicz / Agência O Dia

Para ele, o apelo das famílias e a pressão da sociedade tem sido cada vez maior nos últimos anos. "Em geral, os garotos não sentem a ausência das meninas. São mais os pais que solicitam a abertura, principalmente, aqueles que tem casal de filhos e só podem matricular o menino na escola. Mas não basta a escola querer, os monges têm que se pronunciar", argumenta dom Filipe, lembrando que, se for batido o martelo, será necessária realizar uma série de adaptações nas instalações do colégio para que isso aconteça. O abade reconhece, no entanto, que manter a escola fechada é remar contra a correnteza.

"Acredito que não será possível abrir para meninas em 2015. Mas é uma questão de tempo e uma tendência dos novos tempos que o colégio não deve resistir", pondera o abade. Ele explica que os monges vão precisar de no mínimo dois anos para chegar a uma decisão. Dom Filipe confirmou a abertura de uma filial do colégio na Barra da Tijuca, com o mesmo padrão acadêmico que levou a escola a ocupar, por diversas vezes, o topo do ranking do melhor ensino do país, no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
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