MEC descredencia Universidade Gama Filho e UniverCidade

Com o descredenciamento, alunos das duas universidades terão que ser transferidos

Por O Dia

Rio - Considerada durante anos a maior faculdade privada de Medicina do país e formadora de ídolos do esporte como o judoca Flávio Canto e o velocista Róbson Caetano, a Universidade Gama Filho foi descredenciada ontem pelo Ministério da Educação (MEC) depois que seus controladores — o Grupo Galileo — não cumpriram acordo fechado ano passado de colocar as dívidas em dia. A mesma decisão foi tomada em relação ao Centro Universitário da Cidade (UniverCidade), também com sede no Rio e administrado pelo Grupo Galileo. 

A decisão foi tomada pelo colegiado superior da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres). Segundo a pasta, os motivos foram a baixa qualidade acadêmica, o grave comprometimento da situação econômico-financeira da mantenedora e a falta de um plano viável para superar o problema, além da crescente precarização da oferta da educação superior, informou a ‘Agência Brasil’. A medida será publicada hoje no Diário Oficial da União.

De acordo com o MEC, os alunos serão transferidos para outras instituições superiores de ensino. Para isso, o ministério divulgará, em até cinco dias úteis, um edital convocando as instituições do Rio de Janeiro que tenham interesse e condições para receber os alunos regularmente matriculados. Os programas federais de acesso ao ensino superior que os alunos da Gama e da UniverCidade foram credenciados também terão validade nas novas faculdades, segundo o MEC.

Os problemas da Gama Filho começaram há cerca de três anos, com atrasos de salário de professores e funcionários e diversas greves que deixaram os cerca de 2,4 mil alunos sem aulas por vários períodos. O curso de Medicina — o mais caro da instituição, fundada pela família do ex-ministro da Educação Luiz Gama Filho como Colégio Piedade em 1939 —, custava ano passado cerca de R$ 3,7 mil mensais.

Em 2012, o MEC instaurou um processo de supervisão a partir de denúncias de irregularidades, deficiências acadêmicas e insuficiência financeira relacionadas ao início da gestão do grupo Galileo.

Controlador repudia a decisão

O Grupo Galileo emitiu nota de repúdio ao descredenciamento das duas universidades ontem à noite. A decisão foi classificada como ‘injusta e arbitrária’ e que ‘leva o caos a duas instituições’, além de ‘violar princípios constitucionais como o da isonomia’.

De acordo com o Galileo, uma proposta de reestruturação foi apresentada com a retomada do projeto educacional e a regularização de salários. Além disso, o patrimônio imobiliário do grupo superaria as dívidas.

O grupo ressalta ainda que o descredenciamento põe em risco o emprego de 1,6 mil professores e 1 mil funcionários administrativos. O Galileo vai recorrer ao MEC e à Justiça, se preciso, segundo a nota.

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