Por bianca.lobianco
Rio - O presidente do Grupo Galileo criticou o descredenciamento do MEC da Universidade Gama Filho durante coletiva, nesta terça-feira, na sede do Centro Universitário da Cidade (UniverCidade). Alex Porto afirma que nenhum direito de defesa foi concedido ao grupo. "É uma medida arbitrária e injusta, que viola a constituição. Colocaram em risco o emprego de três mil trabalhadores", disse ele.
Porto esclarece que assim que assumiu a direção da Gama Filho, há 12 meses, encontrou um quadro agudo de dificuldades. "Nós cumprimos tudo o que foi proposto pelo plano de saneamento e deficiência do MEC, o único problema que a gente teve foi do ponto de vista financeiro, o que também gera problemas na manutenção das unidades", disse.
Publicidade
Em relação à greve dos professores e funcionários da faculdade, Porto diz que o movimento é legítimo e que o grupo se solidariza com o ato.
Salários atrasados
Publicidade
O salário dos funcionários das unidades estão atrasados desde outubro do ano passado. O Grupo Galileo acumula dívidas na ordem de R$ 500 milhões referentes às mantenedoras. Para sanar a crise, os integrantes do grupo estavam estudando a venda de alguns imóveis com contrato de 40 anos.
Cerca de 15 pessoas estavam em frente ao prédio protestando por conta da ação do MEC. Uma manifestação está prevista para às 17h, na Cinelândia.
Publicidade
Baixa qualidade acadêmica culminou no descredenciamento
A decisão foi tomada pelo colegiado superior da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres). Segundo a pasta, os motivos foram a baixa qualidade acadêmica, o grave comprometimento da situação econômico-financeira da mantenedora e a falta de um plano viável para superar o problema, além da crescente precarização da oferta da educação superior, informou a ‘Agência Brasil’. A medida será publicada hoje no Diário Oficial da União.
Publicidade
De acordo com o MEC, os alunos serão transferidos para outras instituições superiores de ensino. Para isso, o ministério divulgará, em até cinco dias úteis, um edital convocando as instituições do Rio de Janeiro que tenham interesse e condições para receber os alunos regularmente matriculados. Os programas federais de acesso ao ensino superior que os alunos da Gama e da UniverCidade foram credenciados também terão validade nas novas faculdades, segundo o MEC.
Os problemas da Gama Filho começaram há cerca de três anos, com atrasos de salário de professores e funcionários e diversas greves que deixaram os cerca de 2,4 mil alunos sem aulas por vários períodos. O curso de Medicina — o mais caro da instituição, fundada pela família do ex-ministro da Educação Luiz Gama Filho como Colégio Piedade em 1939 —, custava ano passado cerca de R$ 3,7 mil mensais.
Publicidade
Em 2012, o MEC instaurou um processo de supervisão a partir de denúncias de irregularidades, deficiências acadêmicas e insuficiência financeira relacionadas ao início da gestão do grupo Galileo.