Por thiago.antunes

Rio - A via-crúcis de estudantes da Universidade Gama Filho, que tentam voltar para as salas de aulas após o descredenciamento pelo Ministério da Educação (MEC) da instituição, parece não ter fim. E a maior dificuldade tem sido para os estudantes do curso de Engenharia Elétrica com ênfase em Telecomunicações, que optaram pela transferência assistida para instituições escolhidas pelo governo federal.

Após a matrícula, muitos descobriram que não haveria equiparação da grade curricular e, com isso, quem estava no último período viu o sonho da formatura ser adiado para daqui a pelo menos um ano. “Perdi uma promoção no trabalho porque a direção do curso da Universidade Veiga de Almeida (UVA) me garantiu que iria me formar em julho. Agora, descobri que é mentira”, desabafou Zalmir Ramos, 27 anos.

Quando a Gama Filho começou a ter problema, no ano passado, e parou de oferecer as aulas, ele estava no último período de Engenharia Elétrica com ênfase de Telecomunicações. Faltavam apenas três disciplinas para concluir o curso. Diante das opções que o MEC ofereceu, ele optou em ir para a UVA. Lá, após fazer a pré-matrícula, descobriu que só receberia o diploma se completasse 201 créditos, e não os 178 da Gama Filho.

Zalmir Ramos estava no último ano na Gama Filho. Agora na UVA%2C terá que estudar pelo menos mais um ano Uanderson Fernandes / Agência O Dia

“Com isso, ficaria pelo menos mais um ano estudando. Já tinha 166 créditos feitos, mas isso passou a não significar nada”, contou ele, que só não teve prejuízo maior porque conseguiu manter a bolsa de estudo. Sorte que Tarcísio Roberto de Lima, 30, não teve. Ele, que também cursa a mesma Engenharia, pagou R$ 800 na Veiga de Almeida e, até o momento, não assistiu a nenhuma aula. Aluno do oitavo período na Gama Filho, Tarcísio foi surpreendido com uma grade curricular do segundo período ao fazer a matrícula.

Ao questionar o motivo, ele foi informado sobre que a diferença da carga horária e do conteúdo das disciplinas foram os motivos para voltar quase a estaca zero da graduação. “Ninguém avisou que seria assim. É como se eu tivesse que fazer o curso novamente”, desabafou ele. Perguntada sobre os problemas, a UVA disse que está seguindo todas as diretrizes firmadas com o MEC e que os casos estão analisados individualmente. Informou o e-mail [email protected], para dúvidas e esclarecimentos.

MEC : queixa de bullying a conteúdo de curso

O MEC afirmou, ontem, que já tinha conhecimento do problema na Veiga de Almeida envolvendo alunos da Engenharia. E informou ainda que a universidade se dispôs a buscar uma solução junto ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA), “para que os alunos não venham a ser prejudicados em sua formação”. Enquanto isso, universitários se viram como podem.

“Desisti da UVA quando percebi que não conseguiria terminar o curso com ênfase em Telecomunicações. O que eles têm é Engenharia Elétrica. Não entendo o motivo de o MEC ter sugerido que a gente fizesse a transferência assistida para uma instituição que não tem uma graduação compatível com a que a gente fazia”, disse Henrique Barbosa, 29, ex-aluno do último período da Gama Filho.

Por outro motivo, alunos de Odontologia, que eram da Gama Filho, também estão passando por sufoco. Há relatos de bullying nas salas de aula da UVA, pelo fatos de eles terem sido transferidos por causa da falta de qualidade de ensino e o fechamento da instituição. Um jovem ouvido pelo DIA relatou que, durante uma aula de clínica, um professor repreendeu uma colega de turma na frente do paciente e teria dito: “Olha essa moldagem! Tinha que ser da Gama Filho”. Outra aluna conta que foi obrigada a fazer prova sem receber o conteúdo ensinado. “Cheguei em abril, mesmo assim, tive que fazer prova como se tivesse na turma desde fevereiro”.

A universidade Veiga de Almeira informou que repudia qualquer ato discriminatório e que não recebeu nenhuma reclamação por parte de estudantes sobre essa situação.

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