Por adriano.araujo

Rio - Menos de um terço do total de 3.731 candidatos aprovados pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para os cursos da UFRJ conseguiu fazer a pré-matrícula. O prazo terminou no último dia 23 de junho com apenas 1.121 (30%) candidatos matriculados e uma sobra de 2610 vagas. A greve dos servidores técnico-administrativos de 56 instituições federais de ensino, que já dura mais de um mês, está sendo apontada como uma das principais causas para tamanha sobra de vagas.

UFRJ é uma das poucas universidades que exigem a pré-matrícula online para os classificados no SisuCarlo Wrede / Agência O Dia

O que mais chama a atenção é a sobra de vagas nos cursos de Medicina e Direito, justamente os mais concorridos. Em Medicina, das cem vagas oferecidas na UFRJ, apenas 18 foram preenchidas; em Direito, eram 180 vagas, mas somente 34 candidatos fizeram matrícula. Procurada, a UFRJ informou que, em períodos habituais, é normal que mais ou menos 50% das vagas sejam preenchidas, mas que desta vez, talvez pelo fato de os sindicatos anunciarem que iam bloquear as matrículas no SISU, os candidatos tenham ficado confusos.

A universidade acrescentou que mandou e­mails para cada um dos candidatos aprovados, avisando do prazo para a realização da pré-matrícula. Nivaldo Holmes, coordenador administrativo do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFRJ (Sindufrj) assume que foram enviados à instituição alguns comunicados solicitando que as matrículas fossem suspensas. “Uma semana antes da data do início da pré-matrícula nós enviamos um comunicado à diretoria da UFRJ com a intenção de chamar a atenção do governo federal”, disse Holmes.

Para Roberto Vieira, superintendente-executivo da área de acesso e registro da UFRJ, a greve foi um dos motivos de tamanha sobra de vagas, mas revelou que é normal o processo na primeira chamada do Sisu ter um alto índice de falta. “É um processo nacional, temos alunos de todos os estados do país. O Sisu disponibiliza a pontuação do candidato e mostra uma linha de corte para ele ter ideia se tem ou não condições de conseguir a vaga ou ficar numa lista de espera.”

De acordo com Vieira, não houve um número significativo de reclamações. “Temos oito funcionários cuidando do sistema. O processo é todo informatizado e a maior parte dos funcionários é do call center, respondendo usuários e candidatos”, afirmou.

Caio Hoffmann, 17 anos, morador de Itaperuna, no Noroeste Fluminense, foi avisado por e­mail pela UFRJ e fez a pré-matrícula online para o curso de Direito. Ele disse que o processo de matrícula foi fácil, mas contou que continua apreensivo porque ninguém informa a data da matrícula presencial. Ele entra várias vezes ao dia na internet e disse que a greve o deixou muito angustiado.

A universidade alega que enviou e-mail para todos os classificados informando os prazos da pré-matrículaCarlo Wrede / Agência O Dia

“A falta de informação gera muita insegurança. Só vou me acalmar quando conseguir fazer a matrícula presencial e garantir a vaga”, afirma ele, que, por precaução, já se inscreveu na fila de espera do mesmo curso na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), que foi a sua primeira opção.

A UFRJ informou que a lista de espera para a próxima convocação gira em torno de 60 mil candidatos e que as vagas serão preenchidas ao fim do processo.

Quem perdeu o prazo não tem como recuperar a vaga

O superintendente-executivo da área de acesso e registro da UFRJ, Roberto Vieira, afirma que quem não fez a pré-matrícula perdeu a vaga. Ele lembra que a UFRJ é uma das poucas universidades que fazem pré-matrícula online. Procurado, o Ministério da Educação respondeu que é a universidade que deveria ter assegurado o direito do estudante à matrícula, já que assina um termo de compromisso ao participar do Sisu. O ministério informou que já havia divulgado que não adiaria o prazo das inscrições. O órgão acrescenta que o aluno não poderia ser prejudicado pela greve.

?Colaborou Maria Luisa Barros

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