Por bferreira

Brasília - Dados divulgados pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, apontam que 53.032 candidatos tiraram zero na prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Já 104 conseguiram a menção máxima, de 1.000 pontos. Cinquenta e cinco alunas aproveitaram o tema da redação sobre a persistência da violência contra as mulheres para descrever cenas de assédio vividas ou testemunhadas por elas. Pelo balanço do MEC, a maioria dos alunos, cerca de 2 milhões, atingiu notas entre 501 e 600 em redação.

As notas do Enem são usadas para os estudantes conseguirem uma vaga nas universidades públicas e em algumas privadas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu). As inscrições do Sisu começaram ontem e vão até quinta-feira, 14 de janeiro. São 228.071 vagas ofertadas, 10,9% a mais do que no ano passado. Desse total, 16.425 são destinadas ao Rio de Janeiro.

O primeiro dia de inscrições transcorreu sem grandes transtornos no sistema, ao contrário de outros anos. Alguns participantes, porém, bombardearam as redes sociais do MEC reclamando que a senha e o número de inscrição estavam inválidos. “Fiquei a manhã toda tentando e depois de 12 horas eu consegui entrar. Sistema totalmente falho, pois deveríamos conseguir acesso com nossa senha normal. Depois vi que outra pessoa nos comentários explicando que se a senha fosse maior que dez dígitos, teríamos que digitar apenas até o décimo. Foi assim que consegui”, disse Fernanda Abreu, que tenta vaga para Arquitetura.

Segundo o Ministério da Educação o sistema está funcionando normalmente. A recomendação é que o estudante tente acessar com outro navegador e limpe o cache da máquina.

Até quinta-feira, os estudantes podem trocar de curso na inscrição do Sisu. “É importante que o aluno acompanhe sempre a variação das notas. Do contrário, ele pode perder a oportunidade de mudar para uma vaga que ele consiga acesso”, aconselhou o professor de redação do QG do Enem, Raphael Torres.

Marinheira de primeira viagem, Bruna Carneiro, de 18 anos, disse estar tranquila. “Acho que só ficarei nervosa mesmo depois que saírem as notas. Mesmo sem ter um acesso prévio ao Sisu, eu não achei a lógica difícil, então estou tranquila com a minha estratégia”, diz a jovem, que disputa uma vaga de Veterinária na UFF.

Julliana Reis, que acabou de concluir o Ensino Médio do Colégio Pedro II, fez seu primeiro Enem para Jornalismo e não cogita trocar de curso. “Tem sempre aqueles que possuem um alfabeto todo de opções. Eu não tenho, pra mim é só Jornalismo na UFRJ. Se eu não passar, não consigo aceitar outra coisa”, afirmou.

Esse ano, pela primeira vez na história do Enem, 13 alunos alcançaram a nota máxima em matemática, 1.008,3.

Cotistas campeões

Segundo o MEC, já há indicadores que mostram resultados melhores dos cotistas em relação a alunos de ampla concorrência: 25,3% dos estudantes cotistas tiraram notas superiores a 7, enquanto 24,4% dos alunos de ampla concorrência ficaram na mesma faixa. Apesar de ser uma diferença ligeira, os números serviram para questionar a facilidade para entrar por vagas destinadas a negros ou oriundos de escolas públicas. Afinal, é melhor migrar para a ampla concorrência mesmo sendo cotista?

“Ir para a cota é sempre melhor, na minha opinião. Mas é importante pensar que há discrepância nos próprios cursos”, afirmou o diretor do colégio Pensi, Márcio Branco, ao lembrar que no meio desses estudantes cotistas há os que estudaram em colégios públicos de excelência. “Isso varia muito de curso, universidade e época. Aconselho o aluno a ler atentamente o edital e ponderar”, observou o professor Raphael Torres.

Reportagem da estagiária Rita Costa

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