Por paulo.gomes

São Paulo - Morar em espaços reduzidos é uma prática diária de desapego. Não é possível acumular nada e tudo deve ser muito bem planejado. O designer canadense Graham Hill sabe bem disso. Ele mora em um apartamento de 39 m², em Nova York, onde guarda tudo o que precisa, hospeda amigos e ainda faz recepções para até dez pessoas. Como? Investindo em praticidade e desapego.

“As pessoas olham meu armário e ficam espantadas porque tenho apenas seis camisas. Elas sempre querem espaço para livros e sapatos”, afirma. "Todos nós podemos viver em imóveis pequenos. Adoro ter menos coisas para manter, pagar e limpar. Muita gente acredita que mais é melhor e, por isso, morar em metragens reduzidas se torna tão difícil”.

No apartamento de 39 m² do designer canadense Graham Hill%2C o centro da decoração permanece quase sempre vazio. Tática valoriza a circulaçãoDivulgação

O imóvel do designer conta com diversas adaptações que garantem o conforto. Armários embutidos, cama e beliches retráteis, móveis multiuso e eletroportáteis são algumas das soluções usadas por Hill. Mas o destaque é o “armário-parede” que otimiza espaço e permite, quando necessário, criar locais individualizados. “Tudo deve ter um propósito. Não podemos usar mesas enormes em ambientes diminutos e esperar que funcione”, afirma. Tal percepção impulsionou-o a fundar, em 2009, a consultora “Life Edited” (Vida Editada, em português) – com o objetivo de atender empresas do segmento imobiliário.

Graham Hill se prepara agora para finalizar a consultoria do empreendimento VN Quatá, da Vitacon, localizado na Vila Olímpia, em São Paulo. O prédio conta com 53 apartamentos – de áreas entre 19 m² e 25 m² - e tem como público-alvo estudantes e jovens executivos.

“Imóveis desta metragem estão em alta e vêm sendo muito procurados por solteiros, jovens e até casais sem filhos. Nossa proposta é oferecer estúdios práticos, compactos e muito versáteis. O investimento deve variar entre R$ 250 mil e R$ 350 mil”, afirma Alexandre Lafer Frankel, dono da incorporadora e construtora.

Quer saber mais truques do designer canadense e caprichar na montagem do seu imóvel? Confira abaixo.

1 - Deixe visível apenas o que estiver em uso

Ambientes de metragens reduzidas parecerão maiores quanto menos visualmente poluídos estiverem. Assim, a alternativa indicada pelo designer é esconder peças em desuso. A cama é um dos elementos que pode sumir durante o dia. Para escondê-la e liberar mais espaço, o ideal é apostar em modelos de parede ou até um sofá-cama. “O principal erro ao organizar um imóvel pequeno é tentar viver como se ele fosse grande. Não é adequado ter a mesma quantidade de móveis e equipamentos”, diz Hill.

Dois beliches podem ser incluídos na decoração quando necessário. A proposta de 'guardar' as camas ajuda a economizar espaçoDivulgação

2 - Aposte em móveis multiuso

Nada melhor do que abusar de peças versáteis e resolver os problemas de amplitude. O designer canadense investe nesse tipo de mobiliário em seu próprio apartamento - e garante ser a melhor alternativa em locais reduzidos. “Uma prateleira bem adaptada consegue, por exemplo, ser usada como mesa, balcão de café ou ainda em local para o jantar. Dessa maneira, é possível conseguir três peças em uma”, afirma.

3 - Aproveite todos os espaços

Outra saída para ganhar amplitude é trabalhar com 100% de aproveitamento. O que significa usar até mesmo os espaços verticais do ambiente. Hill apostou nesta ideia e incluiu armários embutidos até o teto no apartamento nova-iorquino. “Procuro manter o centro do flat livre de peças decorativas, o que aumenta a sensação de amplitude”, diz. “O forro dos imóveis também pode ser aproveitado e isso permite guardar o dobro de elementos.”

Até mesmo uma bicicleta coube na metragem reduzida. A parede móvel foi adaptada para receber armários embutidosDivulgação

4 - Abuse do mobiliário embutido

Segundo Graham Hill, as peças de imóveis pequenos devem se encaixar para nenhum ambiente perder espaço. A saída mais recomendada, na maioria dos casos, é apostar nos embutidos. “O melhor ainda é combinar estes modelos com peças de tamanho reduzido”, afirma.

Nada de excesso. O designer usa apenas itens necessários e investe na praticidade ao organizar a cozinhaDivulgação

5 - Tenha somente o necessário

Nada de acúmulo, afinal não há possibilidade. Elementos com pouco uso – eletrônicos e utensílios de cozinha, por exemplo – podem atrapalhar a circulação e devem ser substituídos ou descartados. “Viver em espaços pequenos ajuda a descobrir o que realmente importa em nossas vidas. Após a arrumação, todo o restante será de extrema utilidade e terá muito significado”, diz.

6 - Valorize os ambientes importantes

O designer canadense ressalta a importância de adequar a arrumação ao estilo de vida do morador. Pessoas solteiras, na maioria das vezes, não recebem mais do que dez convidados nas refeições. E, segundo ele, isso permite dispensar a sala de jantar. “Muitas famílias também fogem deste perfil e comem no sofá ou na mesa da cozinha. Logo, não há motivo para haver uma sala de jantar”, afirma Hill.

O designer canadense ressalta a importância de adequar a arrumação ao estilo de vida do morador. Pessoas solteiras, na maioria das vezes, não recebem mais do que dez convidados nas refeições. E, segundo ele, isso permite dispensar a sala de jantar. “Muitas famílias também fogem deste perfil e comem no sofá ou na mesa da cozinha. Logo, não há motivo para haver uma sala de jantar”, afirma Hill.

7 - Atenção ao tamanho do mobiliário

Usar o recurso dos móveis sob medida é mais um trunfo para ganhar espaço. Graham Hill conta que nem sempre as peças de apartamentos grandes são adequadas a metragens reduzidas. A adaptação, no entanto, apresenta custos elevados. “As pessoas devem entender que todos os elementos são importantes ao decorar um imóvel pequeno. É melhor não ter um móvel do que investir em uma escolha errada”, diz.

8 - Use equipamentos práticos na cozinha

Refeições deliciosas podem surgir de cozinhas pequenas. O importante é haver praticidade. Uma saída interessante é abusar de aparelhos portáteis e de tamanhos diminutos. Fogões podem ser substituídos, por exemplo, por cooktops e fornos elétricos. “Quem cozinha pouco em casa não precisa de uma cozinha repleta de equipamentos convencionais. Gosto de usar elementos que sejam guardados em gavetas quando desligados”, afirma Hill.

As informações são de Bruna Bessi

Você pode gostar