Por julia.amin

Rio de Janeiro – Aos poucos, peregrinos de todas as partes do mundo chegam ao país para participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que começa terça-feira (23) no Rio. O evento vai até o dia 28 e é o primeiro de que o papa Francisco participa no exterior depois que foi eleito, em março, para comandar a Igreja Católica.

Os peregrinos que já estão no Rio de Janeiro elogiam a beleza da cidade e a hospitalidade dos cariocas, mas reclamam das dificuldades do dia a dia e temem sair desacompanhados à noite. Animados com a proximidade do evento, os jovens visitantes mostram-se cuidadosos com questões de segurança e locomoção.

Impressionada com a beleza do Rio, a queniana Victoria Gathogo, de 25 anos, disse que procura andar à noite acompanhada de seu grupo para não passar por nenhuma situação perigosa. “Andar de noite, depois das 21h, é um pouco assustador. Não tem muitas pessoas na rua, há pouca gente andando de metrô e alguns [passageiros] parecem um pouco perigosos, mas nada aconteceu comigo.”

Sobre o centro da cidade, Victoria manifestou surpresa com o número de pessoas vivendo nas ruas. “A cidade é muito grande, tem muitas pessoas pobres, muitas pessoas na rua pedindo dinheiro, comida.”

O sistema de transportes coletivos do Rio também foi alvo de reclamações. Os peregrinos se queixam da falta de mapas que indiquem onde passam as linhas de ônibus. A mexicana Victoria Visconth, de 20 anos, contou que tem precisado se informar com pessoas que estão na rua. “Eu não achei nenhum mapa me informando que uma linha de ônibus vai para determinado lugar. Então, tenho que ficar perguntando para as pessoas, que são muito gentis”, disse Victoria.

Outra crítica dos peregrinos que estão no Rio é sobre a maneira de dirigir dos motoristas de ônibus da cidade. Para alguns, os motoristas dirigem de modo irresponsável e imprudente. As mexicanas Pilar Perezcalva e Ana Stehle ficaram assustadas com a alta velocidade dos coletivos. “Os ônibus andam muito rápido e não se importam com os passageiros e pedestres. Se alguém tenta atravessar a rua, eles aceleram”, disseram as mexicanas.

O metrô, porém, recebeu elogios de vários turistas, que ressaltaram a importância dos mapas para conseguirem se localizar. “É um meio [de transporte] muito fácil de usar, e não é tão caro, comparado com o do meu país", elogiou a colombiana Ana María, de 20 anos. "E os mapas estão muito visíveis”, destacou. Ana Maria apontou ainda os altos preços dos serviços na cidade, maior queixa da maioria dos peregrinos. “Tudo na cidade é muito caro, a comida é cara. Eu comparei com Bogotá, de onde eu sou, e o preço aqui é muito mais alto. Até para fazer o câmbio do dólar foi muito caro.”

Já os voluntários que moram no Rio e ajudam a receber os peregrinos de outros países destacaram a dificuldade com as diferentes línguas faladas pelos visitantes. Segundo os voluntários, o número de pessoas trabalhando na jornada e que fala outros idiomas é muito pequeno. A coordenadora de equipe de voluntários do BRT (bus rapid transit) Alvorada, Vanessa Goulart, disse que, nos postos de informação, há pessoas que falam outros idiomas, mas muitos peregrinos não sabem que esse tipo de atendimento existe, por se tratar da primeira jornada em que esse auxílio aos fiéis é implantado.

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