Por bferreira

Rio - Por trás das vestes papais e de toda a suntuosidade da Santa Sé, o argentino Jorge Mário Bergoglio conquista a cada dia a simpatia dos brasileiros, com seu jeito simples e carismático. Dois livros recém-lançados revelam o homem que é Sua Santidade. Em “Papa Francisco, em suas próprias palavras”, o Pontífice abordou temas polêmicos, antes de se tornar Papa, como o homossexualismo. “Se Deus, na criação, correu o risco de nos fazer livres, quem sou eu para me meter”, diz. Para ele, o fato de a mulher não poder exercer o sacerdócio não significa que seja inferior ao homem: “A tentação do machismo não deixou lugar para viabilizar o lugar que cabe às mulheres na comunidade”.

Filho dos católicos Regina e Mario José (foto)%2C Jorge Bergoglio sempre quis seguir a vida religiosaReprodução

Em outra passagem, o Pontífice chama a atenção para a competição feroz entre madrinhas e a noiva por atenção. “Essas mulheres não realizam nenhum ato religioso, vão se exibir. Isso pesa em minha consciência, como pastor”, disse na época que era cardeal em Buenos Aires. O Papa não poupa nem a própria vida pessoal, ao comentar sobre uma paixão antiga. “Quando era seminarista, fiquei deslumbrado por uma garota que conheci no casamento de um tio. Fiquei surpreso com sua beleza”, recordou. Na volta para o seminário não conseguia esquecê-la. “Pensava sem parar. Não consegui rezar ao longo de uma semana inteira”, disse.

Como seminarista poderia ter voltado para casa. “Seria anormal se não acontecesse esse tipo de coisa. Mas tornei a escolher o caminho religioso”, contou o filho de Regina Maria Sivori e Mário José Francisco Bergoglio, que se conheceram, em 1934, na missa, e se casaram um ano depois.

Francisco revela gostos
e hobbies

ENTREVISTA

Em entrevista informal a jornalistas na Argentina, que originaram o livro “O Papa Francisco — Conversas com Jorge Bergoglio”, Sua Santidade, então cardeal na época, lembrou fatos da infância em Buenos Aires e revelou seus gostos, hobbies e costumes.

Lugar no mundo
— Buenos Aires.

Uma pessoa
— Minha avó.

Meio de transporte
— Ônibus.

Hobby
— Quando era novo, gostava de colecionar selos. Agora, ler e ouvir música.

Livro
— Divina Comédia.

Compositor
— Beethoven.

Dança
— Tango.

Cantor
— Carlos Gardel.

Filmes
— A Festa de Babette, e do cinema argentino, Los isleros, uma obra-prima, e Esperando la carroza.

Esporte
— Basquete quando jovem, e futebol.

Time do coração
— San Lorenzo.

Melhor virtude
— A do amor, de dar lugar ao outro, com mansidão. Peço sempre a Deus que me dê um coração manso.

Pior pecado
— A soberba, o “se achar”. Quando eu me encontrei em situações em que “me achei”, tive uma grande vergonha interior e pedi perdão a Deus, pois ninguém está livre de cair nessa.

O que salvaria num incêndio
— A agenda e o breviário (livro de rezas), lamentaria muito perdê-los. Na agenda, tenho todos os compromissos e sou muito apegado ao breviário; é o primeiro que abro de manhã e o último que fecho.

Quantas horas de sono
— Umas cinco.

Sacrifício
— Fazer vigília de oração depois da meia-noite.

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