Por tamyres.matos

Rio - Cerca de 1 milhão de pessoas enfrentaram o frio de 17 graus e a chuva fina ontem à noite para assistir à abertura oficial da Jornada Mundial da Juventude, na Praia de Copacabana. Desde as primeiras horas da manhã, o clima era parecido com o Réveillon, só que desta vez a areia foi tomada por jovens católicos, que cantavam e agitavam suas bandeiras, representando mais de 100 nacionalidades dos cinco continentes.

O arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, dedicou a missa aos jovens que morreram nas chacinas da Candelária e de Vigário Geral, ambas em 1993, e no incêndio na boate de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, em janeiro. Ele dedicou a missa também a uma peregrina francesa, que morreu em acidente de carro a caminho da Jornada, na Guiana Francesa.

Dom Orani também agradeceu ao Papa emérito Bento XVI pela escolha do Rio de Janeiro como sede da Jornada. Em seguida, conclamou a todos a viver “profundamente a fé”. “Temos muitas barreiras e injustiças para superar. Vamos construir pontes, em vez de muros e obstáculos”, disse.

O momento de maior emoção foi quando chegaram à praia os símbolos da Jornada: a cruz peregrina e o símbolo de Nossa Senhora. Os símbolos passaram no meio da multidão, que disputava espaço para ao menos tocar na cruz.

O clima de confraternização uniu até povos cujos países estiveram em guerra recentemente, como Estados Unidos e Iraque. Bandeiras dos dois países tremulavam lado a lado. O iraquiano Robert Issa, 26 anos, disse ter ficado encantado com a hospitalidade dos brasileiros. Robert só reclamou dos preços, segundo ele, maiores que no Iraque.

Irmã Letícia, freira de Hong Kong, região administrada pela China, também agradeceu a acolhida dos cariocas, mas pediu que os católicos rezem por mais liberdade religiosa na China.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que foram registrados 150 atendimentos nas tendas da praia, a maioria para casos de hipoglicemia e dor de cabeça, causados por falta de alimentação.

ARGENTINOS E BRASILEIROS NA PAZ

O encontro de fé se transformou também em intercâmbio de culturas, colorido por bandeiras de vários países. O clima de união até promoveu trégua entre países que cultivam uma certa rivalidade. Na Quinta da Boa Vista, fiéis argentinos se juntaram aos jovens brasileiros, numa lição que, segundo eles, foi dada pela Jornada.

Os ‘hermanos’ agradecem a hospitalidade e exaltam o conterrâneo Francisco — a quem atribuem uma imagem simpática da Argentina. “Estamos sendo bem recebidos por todos os brasileiros. A rivalidade é só no futebol, porque aqui é só festa”, comemora o músico Bruno Gramaglia, 23 anos.

O padre panamenho Fray Richard, 44, que exerce sua função na Venezuela, usa o rap para passar a mensagem bíblica e conta que o ritmo foi ensinado por presidiários, com quem fazia trabalhos sociais: “A música é como uma medicina. Pode equilibrar as pessoas. Ela transforma, é uma linguagem universal”.

Tijuca terá 42 ruas fechadas após 16h

Um esquema especial foi montado hoje, quando o Papa volta de Aparecida (SP) no fim da tarde e vai para o Hospital São Francisco de Assis, na Tijuca. Quarenta e duas ruas ficarão interditadas das 16h às 23h, e o trajeto, de três quilômetros, será protegido por grades. Por precaução, não foi divulgado como ele chegará.

O secretário municipal de Transportes, Carlos Alberto Osório, informou que o percurso será feito em carro fechado. A decisão foi tomada pelos órgãos de segurança e pelo Vaticano.
A operação contará com 450 guardas municipais e controladores da CET-Rio, além de 25 carros e 30 motocicletas. Serão colocados 15 painéis (fixos e móveis) informando sobre as alterações no tráfego.

A previsão é que o Papa chegue à Igreja de São Francisco Xavier por volta das 18h. Em seguida, visitará o Hospital da Venerável Ordem Terceira, na Usina.

Na fila para se confessar

O sucesso do confessionário público da Quinta da Boa Vista levou fiéis a enfrentar filas. O professor colombiano German Arturo, de 32 anos, não ligou para a espera e aproveitou para listar os pecados: “É para não esquecer na hora de me confessar”.

Moradora de São Cristóvão, a aposentada Maria Resende, 63, foi ao local. “Com um confessionário perto de casa, eu não poderia deixar de vir", disse. “Está bonito isso aqui cheio de jovens”, comentou a peregrina de Goiás Rosana Brito, 34.

Expectativa em Aparecida

Um dia antes da chegada do Papa Francisco, a cidade de Aparecida, em São Paulo, vive um clima de expectativa nesta terça-feira. Pelo menos 5 mil jovens já chegaram à Basílica de Nossa Senhora de Aparecida, onde passarão a noite em vigília. Animados, jovens de todas as partes do mundo se confraternizam a todo momento ao ensaiar cânticos e orações para a chegada do Pontífice.

Nenhum incidente foi registrado nesta terça. Na segunda, uma bomba de fabricação artesanal foi detectada em um dos banheiros do Santuário Nacional. Pelo menos 5 mil homens do Exército, Marinha, Aeronáutica, Polícia Federal e Polícia Militar fazem a segurança na região, dentro e no entorno do Santuário.

Grupo de peregrinos vai fazer vigília em Aparecida para aguardar o Papa FranciscoEfe

Apesar do mau tempo, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo confirmou que, a princípio, o líder religioso vai chegar à Aparecida de helicóptero, como era previsto. A temperatura na cidade está na casa dos 20ºC e está nublado, mas não chove.

Um grupo de 50 jovens de Veneza chamou a atenção tocando e dançando música católica típica da Itália. Ao contrário do Rio, não há grandes focos de protestos na região, exceto alguns atos isolados como o do publicitário André Luiz dos Santos, de 53 anos. Ele está com as mãos amarradas a uma cruz a aproximadamente 60 horas. "Estou tentando chamar a atenção para a luta contra a pobreza, a violência, o racismo e a mortalidade infantil", afirmou o publicitário que é de Viçosa, Minas Gerais.

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