Por cadu.bruno

Rio - Bruno Ferreira Teles, de 25 anos, único manifestante que segue preso após confronto desta segunda à noite em frente ao Palácio Guanabara, em Laranjeiras, teve habeas corpus concedido pela Justiça nesta terça-feira. O jovem, morador de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, é acusado ter atirado um coquetel molotov contra policiais.

Bruno foi levado da 9ª DP (Catete) para o sistema prisional%2C antes de ter habeas corpus concedidoEstefan Radovicz / Agência O Dia

Luciana Ferreira, irmã de Bruno, fez um desabafo emocionado na porta da delegacia e questionou o fato de outros manifestantes terem sido soltos. "Quero saber por que foi todo mundo solto e só meu irmão que está preso? Os caras da Zona Sul foram liberados e saíram daqui com papai e mamãe. O meu irmão que é negro e mora na Baixada está aqui", desabafou.

Ela garante que o irmão não fez nada e diz que vários vídeos na Internet comprovam a inocência dele. Bruno trabalha como voluntário no campus da UERJ em Caxias, onde a mãe é professora.

O estudante, que filmava a manifestação, acabou salvo por desconhecidos que faziam o mesmo. Nos muitos vídeos que caíam instantaneamente na rede, Bruno em momento nenhum aparecia com mochila ou molotovs, apenas sendo agredido e levando choques de policiais.

"Meu irmão nunca fez nada para ninguém, não fuma, não cheira, não tem passagem pela polícia, tem pai, tem mãe e estuda. A polícia tem que provar se ele fez alguma coisa. Tem uma porção de vídeos na Internet mostrando que ele não fez nada, basta entrar lá e olhar. A polícia tem que explicar também por que deu choque no coração do meu irmão quando ele estava desmaiado. Ele é gente, não é bicho não", disse.

Os dois PMs que ficaram feridos durante a manifestação prestaram depoimento na tarde desta terça-feira na 9ª DP (Catete). Eles deixaram o local sem falar com a imprensa.

À noite, ao tomar conhecimento de tudo o que passou, Bruno respirou aliviado: “É, dei sorte. Se não fossem os vídeos, estaria lascado”.

Em nota, PM diz que prendeu sete manifestantes

A Polícia Militar (PM) informou, por meio de nota divulgada nesta terça-feira, que prendeu sete pessoas durante a manifestação desta segunda à noite, em frente ao Palácio Guanabara, onde o Papa Francisco foi recepcionado por autoridades brasileiras.

Segundo a PM, as prisões foram feitas para reprimir atos de vandalismo e incitação à desordem. Um dos manifestantes estaria, de acordo com a polícia, portando 20 coquetéis molotov.

De acordo com a nota, a polícia foi atacada com pedras, morteiros e coquetéis molotov. Um dos artefatos incendiários atingiu o cabo Claudio dos Santos Souza do 41º BPM (Irajá), que teve queimaduras pelo corpo. Outro militar também foi ferido. Ambos foram levados para o hospital daç corporação, no Estácio.

A PM diz que respondeu com bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo, balas de borracha e um canhão de água, apenas depois de agredida.

Na delegacia do Catete, duas pessoas foram presas em flagrante, uma pelo porte de artefato incendiário e desacato e outra por formação de quadrilha, que acabou sendo liberada mediante o pagamento de fiança de R$ 1 mil. Outras cinco pessoas foram apenas autuadas, sendo duas por desacato, duas por incitação à violência e uma por exposição ao perigo. Um menor também foi encaminhado à delegacia, mas liberado em seguida.

As notas da Polícia Militar e da Polícia Civil divergem quanto ao número de coquetéis molotov encontrados com manifestantes. A PM diz que o preso estava com 20 artefatos incendiários, enquanto a Polícia Civil afirma ter apreendido 11.

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