Por tamyres.matos

Rio - O prefeito Eduardo Paes declarou que a visita do Papa Francisco vai permitir que a cidade mostre suas qualidades e problemas: “Queremos que a vinda dele seja uma forma de estimular os desafios que a cidade ainda tem que superar”.

Ele e o arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, concederam entrevista nesta segunda-feira no Forte de Copacabana. Dom Orani destacou que os olhos do mundo estarão voltados para o Rio.

Ele disse que a principal preocupação da Igreja é que os jovens sejam protagonistas da história que está sendo escrita no Rio. “Será um belo momento, pois o Papa vem estender a mão a todos que queiram com ele construir um mundo mais justo, honesto e fraterno”, afirmou.

Papa Francisco pega engarrafamento

O esquema de trânsito montado para o deslocamento do Papa mostrou uma falha logo na primeira hora de Sua Santidade no Rio de Janeiro. Após descer na Base Aérea do Galeão, a comitiva ficou presa no trânsito da Avenida Presidente Vargas, no Centro, e o carro em que o Pontífice estava foi cercado por fiéis, dando trabalho aos seguranças que seguiam a pé ao lado do veículo.

O comboio oficial, que seguia para a Catedral, chegou ao Centro pela Avenida Francisco Bicalho, onde fiéis já se concentravam. Na Presidente Vargas, o veículo em que estava o Papa — que abriu a janela para cumprimentar a população — seguiu pela esquerda da pista central, sentido Candelária, com velocidade reduzida porque as outras faixas estavam paralisadas pelo engarrafamento.

Como o caminho era estreito, e fiéis já corriam para acompanhar o Pontífice, os batedores em motocicletas não puderam seguir ao lado do carro. O momento mais tenso foi quando o trânsito parou também na faixa da esquerda e uma multidão começou a se formar ao redor do veículo. O Papa manteve a janela aberta e abençoou um bebê levado até ele.

Veículo fica preso no trânsito da Presidente VargasReuters

O secretário municipal de Transportes, Carlos Roberto Osório, afirmou que a prefeitura não foi informada do roteiro exato do comboio. Já a Polícia Federal informou que considerou a operação positiva e que o trajeto pelo Centro foi uma escolha do Pontífice.

Para o pesquisador em análise de emergência da Coppe, da UFRJ, Moacyr Duarte, houve falha. “Foi um deslize, pois a multidão pôde se aproximar da lateral do carro”.

Protesto LGBT

Cerca de mil feministas e ativistas do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) protestaram contra a visita do Papa no Largo do Machado, a cerca de um quilômetro do Palácio Guanabara. Nas escadas da Igreja de Nossa Senhora da Glória, Patrícia Domingues e Carolina Reis se beijaram na boca, para espanto de pouco mais de cem peregrinos, que foram ao ato, mas para defender o que disseram ser “valores cristãos”.

Enquanto integrantes da Marcha das Vadias desfilavam com seios à mostra, católicos rezavam e cantavam. Não houve conflitos, mas policiais militares acompanharam a movimentação. Alguns grupos levaram cartazes com palavras obscenas, numa provocação aos católicos.

Explosivo em Aparecida

Policiais encontraram no domingo uma bomba artesanal num banheiro do estacionamento do Santuário Nacional, em Aparecida (SP). O artefato foi achado durante a simulação da visita do Papa Francisco ao local, mas o explosivo não estava numa área por onde o líder da Igreja Católica e os peregrinos passarão amanhã.

Um cano plástico coberto por fita adesiva foi encontrado por agentes da Força Aérea Brasileira (FAB). Considerado de baixo potencial de destruição, o explosivo foi detonado. O esquema de segurança para a visita do Papa Francisco a Aparecida vai envolver cinco mil homens das Forças Armadas e da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.

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