Por cadu.bruno

Rio - A prefeitura e integrantes da comitiva do Papa Francisco estudam a possibilidade de transferir a vigília e a Santa Missa do Campus Fidei, em Guaratiba, na Zona Oeste, para Copacabana, na Zona Sul. Palco dos principais eventos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), a área de 1,7 milhão de m² tem sofrido com as fortes chuvas que têm castigado a cidade e está encharcada.

Chuva que atinge o Rio deixa terreno do Campus Fidei%2C em Guaratiba%2C cheio de lamaAndré Mourão / Agência O Dia

Por conta do problema, autoridades reavaliam a situação. Cerca de 2 milhões de fiéis são aguardados para as celebrações.

A estrutura montada no local em 10 meses é 15 vezes maior que a dos eventos de rock na cidade, segundo a organização. Na área de saúde, por exemplo, a capacidade é para atendimento de 98% das ocorrências no local, em 15 postos no campo e outros 15 ao longo do trajeto dos fiéis. Além disso, 60 ambulâncias e um helicóptero estarão a postos para remoção de casos mais graves.

O Papa Francisco terá duas sacristias e uma capela para abrigar a comitiva e as hóstias da comunhão. O palco onde Sua Santidade rezará a missa é um espetáculo à parte. Com 75m de largura e uma cruz gigantesca, vai receber ainda 700 convidados do Pontífice, peregrinos e atrações musicais na celebração. Haverá ainda 32 telões espalhados no local.

'Sempre se pode colocar mais água no feijão', diz Papa

Papa foi recebido por centenas de moradores na comunidade de VarginhaReprodução TV

O Papa Francisco fez discurso na manhã desta quinta-feira na comunidade de Varginha, no Complexo de Manguinhos, na Zona Norte. O pontífice mostrou bom-humor e usou expressões tipicamente brasileiras ao falar com os moradores. Sobre um palco montado em um campo de futebol na comunidade, o Santo Padre fez até uma brincadeira com a cachaça.

"Desde o início, quando planejava minha visita ao Brasil, o meu desejo era poder visitar todos os bairros deste país. Queria bater em cada porta, dizer 'bom dia', pedir um copo de água fresca, beber um cafezinho. Não cachaça!", afirmou o Papa, sorrindo.

O pontífice também falou sobre a famosa receptividade brasileira. "Sei bem que quando alguém que precisa comer bate na sua porta, vocês sempre dão um jeito de compartilhar a comida: como diz o ditado, sempre se pode 'colocar mais água no feijão'! Se pode colocar mais água no feijão? Sempre! E vocês fazem isto com amor, mostrando que a verdadeira riqueza não está nas coisas, mas no coração", disse.

Francisco convocou os jovens a não perderem a esperança e pediu ao poder público esforço para construir um mundo mais justo. "Eu gostaria fazer uma chamada aos que têm mais recursos, aos poderes públicos e a todos os homens de boa vontade comprometidos com a justiça social: que não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e mais solidário. Ninguém pode permanecer indiferente diante das desigualdades que ainda existem no mundo", pediu.

Durante o trajeto, Francisco abençoou crianças que eram levadas até ele pelos seguranças. Na chegada à favela, muitas pessoas gritavam o nome do pontífice e algumas faixas foram estendidas nas grades, contra as remoções forçadas e pedindo justiça pelos mortos nas comunidades.

Papa chegou de papamóvel à comunidade de VarginhaCarlos Moraes / Agência O Dia

Antes do discurso, um dos jovens da comunidade usou o microfone para das boas vindas ao Papa.

"A sua vinda, Pai Francisco, nos levou à mídia nacional e internacional. Ruas foram asfaltadas, as lixeiras foram melhor distribuídas e outras melhorias foram feitas. Esperamos que isso continue", disse ele, lembrando que a comunidade sofre com enchentes quando chove forte.

Recepcionado por crianças, Francisco ganhou um colar colorido. Depois, fez uma pausa no percurso e entrou em uma capela dedicada a São Jerônimo Emiliano. "Pai abençoe esse altar que preparamos para ver seus mistérios", disse. Um morador deu ao Papa uma faixa do time argentino San Lorenzo, do qual Francisco é torcedor.


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