Por thiago.antunes

Rio - O encontro entre o Papa Francisco e os argentinos, na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro, não será longo, informou o padre Federico Lombardi, diretor da Sala da Imprensa do Vaticano, em entrevista no Media Center da JMJ Rio2013 no Forte de Copacabana. “Será uma saudação, um encontro um pouco improvisado”, afirmou padre Lombardi.

O Papa Francisco “pediu o encontro para ver os jovens argentinos e para que os jovens argentinos vejam o Papa”, observou. O diretor da Sala de Imprensa do Vaticano salientou que não há uma palavra do Sumo Pontífice prevista para o encontro “mas, seguramente, o Papa saberá o que dizer”.

O padre Márcio Queiroz, diretor de Comunicação do COL, informou que, em reunião na manhã desta quarta-feira, ficou acertado que a Conferência Episcopal Argentina se responsabilizaria pelo encontro do Papa Francisco com os peregrinos argentinos.

Cinco mil deles poderão participar da cerimônia na Catedral. Serão identificados pelo crachá e vão entrar de acordo com a ordem de chegada.

Papa critica liberação de drogas

O dia do Papa nesta quarta-feira em Aparecida (SP), onde celebrou missa de manhã, e no Rio foi marcado por declarações contundentes sobre temas atuais, como o consumismo da sociedade contemporânea e as drogas. “Não é deixando livre o uso das drogas, como se discute em várias partes da América Latina, que se conseguirá reduzir a difusão e a influência da dependência química”, disse o Pontífice à noite, no Rio de Janeiro.

Ao inaugurar um centro de recuperação para dependentes de drogas no Hospital São Francisco de Assis, na Tijuca, Francisco comparou os traficantes a “mercadores da morte”. Foi a primeira vez que ele tratou do tema em seu papado. “A chaga do tráfico de drogas, que favorece a violência e que semeia a dor e a morte, exige da inteira sociedade um ato de coragem”.

Em discurso%2C Papa Francisco ressaltou necessidade enfrentar problema das drogasMárcio Mercante / Agência O Dia

Em alguns momentos, direcionou sua fala aos dependentes que participavam do evento: “Você é o protagonista da subida; esta é a condição imprescindível! Você encontrará a mão estendida de quem quer lhe ajudar, mas ninguém pode fazer a subida no seu lugar. Mas vocês nunca estão sozinhos! A Igreja e muitas pessoas estão solidárias com vocês”.

Ele não deixou de ressaltar que o desafio do combate à dependência de drogas é de toda a sociedade: “É necessário enfrentar os problemas que estão na raiz do uso das drogas, promovendo uma maior justiça, educando os jovens para os valores que constroem a vida comum, acompanhando quem está em dificuldade e dando esperança no futuro”.

Dinheiro e poder

Durante o dia, no Santuário Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo, o Papa Francisco rezou missa para 150 mil fiéis, onde destacou o fascínio que “o dinheiro, o poder, o sucesso e o prazer” exercem na vida, especialmente dos mais jovens. “Nossos jovens não precisam de coisas, mas, sobretudo, de valores imateriais, que são a memória de um povo, o coração de um povo”, declarou. Falou ainda da força da juventude como motor para transformar a sociedade e a Igreja.

Emoção e fé

Centenas de fiéis aguardavam desde às 12h a passagem do Papa Francisco pelo Hospital São Francisco de Assis na Providência de Deus. A fiel Evanda Martins, de 75 anos, veio da Barra da Tijuca para ver o Santo Padre e afirmou que o ele "é a melhor coisa que aconteceu à Igreja". "Ele (Francisco) não se compara ao Papa Bento XVI. Francisco está renovando a instituição e trazendo mais jovens para a Igreja", disse ela.

O Papa, que passou o dia em Aparecida, São Paulo, onde celebrou uma missa, chegou ao local por volta de 18h20. Ele seguiu para a capela ao lado do hospital e ajoelhou ao lado de vários freis franciscanos. Alguns pacientes do hospital esperaram por sua benção e o Sumo Pontífice abençoou quatro cadeirantes. Entre 400, foram escolhidos 20 deles, alguns bens debilitados.

Paulo Prata, 81 anos, internado há cinco dias com gastrite foi um dos escolhidos. "Quando o Papa me abraçou, fiquei bastante nervoso. Até sarei depois disso", riu o idoso. Ismael Montano, 53 anos, que está na fila de transplantes de fígado, comemorou. "Pedi ao Papa para ele me abençoar, para vencer a doença. Foi inexplicável quando ele me abraçou", disse.

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