ONU estimula criação de insetos comestíveis para combater a fome mundial

Animais são altamente nutritivos e fáceis de se reproduzir, diz relatório

Por O Dia

Que tal grilos tostados de entrada, espetinhos de escorpião no prato principal e formigas açucaradas de sobremesa? A ONU lançou ontem, em Roma, programa que incentiva a criação em larga escala de insetos para diminuir a fome no mundo. De acordo com a FAO (escritório da ONU para Agricultura e Alimentação), estes bichos são ricos em nutrientes, de baixo custo, ecológicos e — por que não — “deliciosos”.

Feirante no Camboja mostra um grilo frito num mercado em Phnom Penh. Alimento é ‘ecológico’%2C diz ONUReuters

“Nossa mensagem é: coma insetos, que são abundantes, e rica fonte de proteínas e minerais. Um terço da população mundial os consome, porque eles são deliciosos e nutritivos”, afirmou Eva Ursula Müller, diretora do Departamento de Política Econômica Florestal da organização.

Dois bilhões de pessoas em culturas tradicionais da África, Ásia e América Latina já comem insetos, lembra a FAO. Mas, diz a organização, o potencial é muito maior, já que haveria cerca de 900 espécies de insetos comestíveis.

Ainda de acordo com a FAO, é preciso 2 kg de ração para produzir 1 kg de insetos, enquanto que para obter 1 kg de carne o gado consome 8 kg de alimento. Os insetos se alimentam basicamente de restos de alimentos, usam bem pouca água e produzem menos gases do efeito estufa do que a pecuária.

“Até 2030, mais de 9 bilhões de pessoas vão precisar ser alimentadas”, afirma a FAO, enquanto “a poluição do solo e da água devido a produção intensiva de animais de pastoreio levam à degradação das florestas”.

Além disso, lembra a organização, insetos podem ser “colhidos em seu estado natural, cultivados, processados e vendidos pelos mais pobres da sociedade”. E os gastos ou investimentos necessários para a colheita são mínimos.

Últimas de _legado_Mundo e Ciência