Por juliana.stefanelli
A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) qualificou nesta terça-feira de "infração gravíssima" de liberdade de informação a "violação das comunicações telefônicas" supostamente cometida contra repórteres e escritórios da agência de notícias Associated Press (AP). A RSF afirma que o Departamento de Justiça americano enviou em 10 de maio uma carta à AP na qual informava sobre a investigação de 20 linhas telefônicas, mas "sem" precisar os motivos e nem os argumentos legais do procedimento".
A organização lembra que essa atuação teria tido como objetivo descobrir os informantes da AP em relação a uma operação da CIA no Iêmen para evitar um atentado da Al Qaeda. "Assinamos as palavras de Gary Pruitt, diretor-geral da AP, que denuncia uma 'intromissão em massa e sem precedentes'", em uma comunicação enviada pelo secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder. "Repórteres sem Fronteiras pede ao Departamento de Justiça que responda sem demora ao pedido da AP de destruir dados dos telefones. Estimamos também que fatos contrários às garantias constitucionais exigem um exame de uma comissão de investigação do Congresso", acrescenta RSF em comunicado.
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Além disso, a organização com sede em Paris "constata com preocupação que a administração federal atual não acabou com as práticas em vigor durante o duplo mandato de George W. Bush, que sacrificaram os dados privados e sobretudo o direito dos cidadãos de estarem informados", acrescenta.
A RSF considera que este fato demonstra a necessidade de que haja nos Estados Unidos uma lei federal "em matéria de proteção de fontes (federal shield law). Um princípio que 34 Estados da União reconhecem, em diversos graus, em sua legislação"