Por juliana.stefanelli
Cidade da Guatemala (Guatemala) - A Organização dos Estados Americanos (OEA) iniciou nesta terça-feira um "histórico" debate sobre o problema das drogas com a instalação de sua 43º assembleia geral, realizada na Guatemala, onde os chanceleres presentes buscarão desenhar um roteiro para criação de novas formas de lutar contra essa mazela social.
Durante os próximos dois dias, 26 chanceleres, três vice-chanceleres e cinco embaixadores, os quais representam os 34 Estados que integram a OEA, debaterão em torno de um estudo científico elaborado por um grupo de analistas a pedido da secretária-geral do organismo, o qual aborda a realidade das drogas nas Américas.
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O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, declarou que a assembleia de Antígua é "histórica" porque "dá início a um debate" sobre drogas "que antes não era possível ser realizado", acabando assim com "um tabu de que certos temas não podiam ser debatidos ao mais alto nível". Embora não seja prevista nenhuma resolução sobre as novas direções na luta contra as drogas na região, principalmente em relação à violência, Insulza espera, pelo menos, uma maior sensibilização por parte dos governantes.
A assembleia da OEA deve "formular um itinerário de trabalho razoável", capaz de respeitar os tempos estipulados e de permitir uma abordagem de forma "séria" do assunto das drogas e seus efeitos, disse o secretário-geral. Dos vinte pontos que contempla o projeto de declaração final da assembleia, em dois não existe consenso por parte dos chanceleres, que deverão chegar a acordos durante os diálogos privados que sustentarão nos próximos dias.
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Um se refere ao mecanismo de seguimento da discussão da problemática, sobre o qual um grupo de 14 Estados propõe a realização de uma assembleia extraordinária em abril do próximo ano para firmar ações definitivas, o que é rejeitado por países como os Estados Unidos, que preferem que o tema seja abordado pelas instâncias do sistema hemisférico.
Também não se alcançou um consenso em relação ao ponto no qual se pede aos Estados-membros da OEA observar e dar seguimento aos exemplos das ações e políticas que outros países, como o Uruguai, implementaram como estratégias para fazer frente ao problema das drogas, como promover a legalização do consumo da maconha. À margem das indefinições, Insulza ressaltou que a OEA "legitimará o debate" sobre as drogas e discutirá as novas alternativas para combatê-lo "de forma transparente".
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Estados Unidos, o principal país consumidor de drogas no mundo, serão representados nesta assembleia por seu secretário de Estado, John Kerry, e sua secretária de Estado adjunta para Assuntos Hemisféricos, Roberta Jacobson, além do encarregado do Departamento de Estado para Assuntos Antidrogas, William Brownfield, e Gil Kerlikowske, o chefe antidrogas da Administração Obama.