Colômbia registrou 39 mil casos de sequestro nas últimas quatro décadas

Ex-candidata à vice-presidência, Clara Rojas, já passou seis anos em cativeiro das Farc

Por O Dia

Bogotá (Colômbia) - Pelo menos 39 mil pessoas foram sequestradas nas últimas quatro décadas na Colômbia, o que representa uma média de quase mil casos por ano, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira em Bogotá. A pesquisa, realizada pelo Centro Nacional de Memória Histórica, traz o documento "Uma verdade sequestrada: 40 anos de estatísticas de sequestro (1970-2010)", que informa que este problema se espalhou por todo o país, pois dos 1.102 municípios da Colômbia, foram registrados casos em 1.006.

Segundo o relatório, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) são responsáveis confirmados por 37% dos casos, seguidos pelo Exército de Libertação Nacional (ELN, com 30%), facções criminosas (20%), outros (9%) e paramilitares (4%). O ministro do Interior, Fernando Carrillo, que assistiu à apresentação do relatório, assegurou que se trata da "base de dados mais importante deste crime na Colômbia" porque está centrada nas vítimas e tem um enfoque psicossocial.

Carrillo disse que o sequestro, "esse fato incontestável da degradação do conflito colombiano", atingiu seu ponto mais alto entre 1995 e 2004, quando as guerrilhas o utilizaram para pressionar as autoridades e como método de financiamento. Os autores do documento assinalam que 301 pessoas foram sequestradas mais de uma vez e que uma delas foi vítima em cinco ocasiões. Ao fazer uma classificação das vítimas por gênero, a investigação apontou que a maioria dos sequestrados são homens (78%) e que apenas 3% das vítimas eram estrangeiros.

A ex-candidata à vice-presidência da Colômbia, Clara Rojas, que passou seis anos em um cativeiro das Farc junto com a então aspirante à presidência Ingrid Betancourt, também assistiu à apresentação do documento. O caso de Rojas e Betancourt se enquadra nos 9% dos sequestros que duraram mais de um ano, já que a maioria (59%) dura até 30 dias.

Dos sequestrados pertencentes à administração pública, metade (49%) são policiais ou militares, mas também caíram nas mãos dos sequestradores 389 vereadores, 358 prefeitos, 75 congressistas e 66 deputados.

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