Por cadu.bruno

Colômbia - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse neste domingo que as Farc devem reconhecer as vítimas do conflito no país e advertiu que é preciso "jogar limpo" nas negociações realizadas em Havana.

"Dissemos às Farc que elas têm que reconhecer as vítimas como núcleo nesta negociação", disse Santos em um ato com afetados pela violência no município de El Carmen de Bolívar, no norte do país.

Santos acrescentou que as Farc não devem pedir "coisas impossíveis" nos diálogos de Havana, porque ninguém cumprirá com o pedido.

O presidente reiterou que para chegar a um acordo de paz é necessário que em contrapartida, "entenda, expresse sua vontade e jogue limpo", porque caso contrário não concordarão.

"Não comecem pedindo coisas impossíveis que ninguém vai conceder, que não estão dentro dos acordos", disse o líder ao comentar a intenção do grupo guerrilheiro de não entregar as armas uma vez que se chegue a um acordo de fim do conflito.

"Queremos que entreguem as armas, mas que sigam combatendo com argumentos, que mudam as balas pelos votos", manifestou Santos, que prometeu que o Estado dará "todas as garantias e todos os espaços" para que ingressem em um sistema democrático.

Santos se referiu ao ceticismo de alguns setores da sociedade com a real vontade de paz das Farc, e disse ao grupo guerrilheiro que "a paciência do povo colombiano não é ilimitada".

O presidente defendeu mais uma vez as negociações de paz em meio à guerra e disse que as Farc sabem desde o começo "que não haverá cessação de fogo até que cheguemos aos acordos" de fim do conflito.

Santos uniu-se, neste domingo, a uma manifestação de milhares de camponeses da região Caribe do país que aconteceu no município de El Carmen de Bolívar em apoio às vítimas do conflito armado e do processo de paz com as Farc.

El Carmen de Bolívar foi escolhida como sede desta manifestação porque está nos Montes de María, uma região montanhosa que nos últimos 20 anos foi palco de uma sangrenta guerra de guerrilhas e paramilitares pelo controle territorial que deixou milhares de mortos.

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