Por juliana.stefanelli

Londres (Inglaterra) - A polícia britânica iniciou uma investigação sobre as ameaças de bomba que várias jornalistas receberam através do Twitter. As colunistas Hadley Freeman, do jornal "The Guardian"; Grace Dent, do "Independent", e Catherine Mayer, da revista "Time", entre outras, confirmaram ter sido ameaçadas pelo mesmo usuário anônimo, informou nesta quinta-feira a imprensa local.

"Uma bomba-relógio foi colocada fora da sua casa. Explodirá exatamente às 10h47 da noite, destruindo tudo", diz, em caixa alta, o tweet enviado às jornalistas pelo perfil @98JU98U989, conta que já foi suspensa. Hadley recebeu a ameaça ontem à tarde e a denunciou à polícia, que a aconselhou não dormir em sua própria casa e comunicou que iniciaria uma investigação, já que esse tipo de mensagem em uma rede social constitui crime, informa nesta quinta-feira o site do "Guardian".

Uma porta-voz policial confirmou ter recebido denúncias sobre ameaças de bomba a várias mulheres no Twitter e informou que até agora não houve prisões e que nenhuma bomba explodiu de fato. Esse é o segundo caso de ameaças através do microblog que chega à imprensa britânica nas últimas semanas, já que recentemente houve casos de ameaças de estupro dirigidas à deputada trabalhista Stella Creasy e à ativista feminista Caroline Criado-Pérez. Caroline liderou recentemente uma campanha, apoiada por mais de 35 mil assinaturas, contra a troca do rosto da reformadora social Elizabeth Fry das notas de 5 libras esterlinas pelo ex-primeiro-ministro Winston Churchill.

A ativista denunciava que as notas britânicas ficariam sem representação feminina (exceto pela rainha Elizabeth II), apesar de o Banco da Inglaterra ter anunciado na semana passada que a escritora Jane Austen substituiria em 2017 o cientista Charles Darwin nas de 10 libras. Após as ameaças estupro que recebeu, Caroline começou outra campanha no site change.org, que já conta com mais de 100 mil apoios, pedindo ao Twitter para acrescentar um botão na interface da rede social para denunciar abusos.

Hadley Freeman, do "Guardian", que publicou na terça-feira um artigo intitulado "Como usar a internet sem ser um otário", se somou à iniciativa: "Ameaçar as pessoas com uma bomba ou com estupro é ilegal. Precisamos que a lei seja aplicada na internet assim como no mundo real", manifestou. "Deveria haver um botão para denunciar os abusos mais facilmente. O Twitter ganha dinheiro, pode permitir alguns moderadores", criticou Hadley em declaração a seu jornal.

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