Por tamyres.matos

Irã - Hassan Rouhani, que é considerado um clérigo relativamente moderado, tomou posse neste sábado como presidente do Irã em cerimônia comandada pelo líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. Rouhani substitui Mahmoud Ahmadinejad, que ficou oito anos no poder e isolou o Irã por suas posturas radicais em relação aos Estados Unidos e Israel e por se recusar a interromper seu programa nuclear.

A expectativa é que o novo presidente, ao reabrir o diálogo com a comunidade internacional, consiga se livrar aos poucos das sanções econômicas que Ahmadinejad colecionou ao longo dos anos e que contribuíram para lançar o país num abismo econômico.

Sob o quadro do aiatolá Khomeini%2C Ahmadinejad vê o líder supremo Ali-Khamenei (de turbante preto) dar posse ao novo presidente%2C RouhaniEfe

Rouhani foi eleito em junho, com o apoio de Khamenei, e deve fazer seu juramento de posse hoje, quando também apresentará os nomes que espera ser aprovados pelo Parlamento para seu Gabinete.

“Moderação não significa se desviar dos princípios e não é o conservadorismo frente a mudanças e o desenvolvimento. Moderação é uma ativa e paciente abordagem da sociedade de forma a se distanciar do abismo do extremismo”, disse o novo presidente ontem em curto discurso. Foi ouvido por chefes de Estado e representantes de vários países, à exceção de EUA e Israel.

O Irã que Rouhani assume tem inflação que registrou 42% em julho e alto índice de desemprego. Mas ele também tem um desafio político interno, que é o de promover a aproximação entre as correntes conservadoras, moderadas e reformistas dentro do país.

Se o novo presidente, de fato, aceitar o fim negociado do programa nuclear do Irã, poderá ser importante elemento no xadrez da região no momento em que os EUA pressionaram e conseguiram que Israel e a Autoridade Nacional Palestina (ANP) concordassem em retomar as negociações de paz. Ahmadinejad sempre garantiu que o programa nuclear iraniano tem fins pacíficos. A comunidade internacional nunca acreditou.

PONTO DE VISTA

Por Rozane Monteiro, editora de Política

Em 2006, quando George W. Bush queria fazer acreditar que invadir o Irã não era uma possibilidade remota, cismei que tinha que ir para a terra de Mahmoud Ahmadinejad. Era editora de Internacional de um jornal, meu chefe caiu na minha conversa e lá fui eu. Com a cara, a coragem e meu inglês de sotaque americano.

Evidente que minha malandragem ianque só me atrapalhou quando um agente do Serviço Secreto me seguiu achando que eu era espiã americana disfarçada de jornalista. Mas fui salva pelo intérprete credenciado pelo governo, sem o qual eu, da ‘imprensa estrangeira’, não podia circular. Doce Hamid, quando perguntei o que aconteceria se tentasse sair sozinha do hotel, foi bastante didático: “Melhor não tentar.”

Num dia qualquer, enquanto esperava mais um carimbo no passaporte, achei que tinha algo errado no mapa-múndi do gabinete da ministra de Comunicação. Também achei que fazia sentido perguntar em alto e em bom som: “Hamid, cadê Israel?” O homem foi de novo didático: “Para nós, Israel não existe.” E claro que eu preferi deixar a polêmica para depois que conseguisse meu carimbo e saísse daquele prédio, naturalmente.

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