Egito: Policiais retomam mesquita

Forças de segurança invadem prédio e prendem vários manifestantes pró-Morsis

Por O Dia

Cairo (Egito) - Após intenso tiroteio na mesquita de al-Fatah, na Praça Ramsés, no Cairo, onde centenas de apoiadores da Irmandade Islâmica pediam a volta do presidente deposto Mohammed Morsis, a polícia egípcia invadiu o prédio e evacuou o local, segundo as forças de segurança do país. Vários manifestantes que permaneciam em frente à mesquita e formavam barreira humana foram presos.

Imagens da TV egípcia mostraram a intensa troca de tiros entre um homem em uma das torres da mesquita e membros das forças armadas que estavam do lado de fora. Pela manhã, forças de segurança do Egito chegaram a entrar na mesquita para tentar, sem sucesso, convencer os manifestantes a deixarem o prédio.

A polícia egípcia invadiu a mesquita al-Fatah%2C na Praça Ramsés%2C e evacuou o local. Manifestantes que ocupavam o prédio foram presosReuters

O Ministério do Interior informou ontem que 1.004 “elementos da Irmandade Islâmica” foram presos sexta-feira, sendo 558 apenas no Cairo. Já o Ministério da Saúde divulgou o saldo dos confrontos violentos entre simpatizantes da Irmandade Muçulmana e as forças de segurança. No ‘Dia da Ira’, como a sexta-feira passou a ser chamada, foram mortas 173 pessoas, incluindo 95 na região central da capital. Ontem outros 30 morreram. O ministério confirmou que 1.330 pessoas ficaram feridas.

Turquia faz duras críticas

O primeiro-ministro turco, Racep Tayyip Erdogan, criticou ontem o Conselho de Segurança da ONU, a União Europeia e a Organização para a Cooperação Islâmica por não condenarem a repressão contra as manifestações. Em vários países — como Alemanha, Turquia, Itália, Israel e Suíça —manifestantes protestaram contra a violência no Egito.

Governo propõe dissolver a Irmandade Muçulmana

O governo egípcio propôs dissolver a Irmandade Muçulmana , grupo do presidente deposto Mohammed Morsi. O anúncio foi feito ontem, aumentando o risco de um sangrento confronto entre Estado e islamitas pelo controle do país. A informação foi confirmada aos jornalistas no Cairo pelo porta-voz do Conselho de Ministros, Sherif Shauqi.

O governo também divulgou que, entre os mais de 900 mortos em três dias de massacre, está o filho do líder da Irmandade Mohammed Badie, atingido por um tiro durante protesto na Praça Ramsés, no Cairo, onde cerca de 95 pessoas morreram em uma tarde de tiroteios e destruição na última sexta-feira.

Neste sábado também foi preso Mohammed al-Zawahri, irmão do líder da Al-Qaeda Ayman al-Zawahri, em um ponto de segurança em Gizé, cidade vizinha ao Cairo.

Mohammed chefiaria no Egito o grupo salafista Jihadi, de tendência ultraconservadora e aliado de Morsi. Autoridades egípcias afirmaram que prenderam mais de mil islamitas.

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