Por juliana.stefanelli

Damasco (Síria) - A ONU denunciou nesta segunda-feira um ataque de franco-atiradores contra um veículo que transportava inspetores encarregados da investigação do uso de armas químicas no conflito da Síria. "O primeiro veículo da equipe de Investigação de Armas Químicas foi atingido várias vezes por disparos de franco-atiradores não identificados", detalhou a ONU em um comunicado divulgado em Seul, onde o secretário-geral Ban Ki-moon se encontra em visita oficial. Segundo as Nações Unidas, os disparos inutilizaram o veículo, obrigando "a equipe a retornar a salvo para o posto de controle do governo", acrescentou o porta-voz da organização no documento.

No momento do ataque, a equipe da ONU estava realizando uma investigação no terreno nos arredores de Damasco, onde a oposição síria denunciou a morte de mais de mil pessoas por um suposto ataque do regime com agentes químicos na última quarta-feira. No entanto, apesar dos disparos, a ONU confirmou no comunicado que "a equipe vai retornar à região assim que o veículo for substituído".

Governo sírio culpou "grupos terroristas armados"EFE

O Ministério das Relações Exteriores sírio autorizou no domingo os especialistas da ONU que estão no país a visitarem a zona de Guta Oriental. No documento, o porta-voz da ONU também fez um pedido para que todas as partes "aumentem sua cooperação para que a equipe possa realizar com segurança seu importante trabalho".

Ativistas sírios inspecionam os corpos das vítimasReuters

O governo sírio culpou "grupos terroristas armados" - forma como costuma chamar os rebeldes - pelo ataque contra os inspetores da ONU na periferia de Damasco. Segundo uma fonte governamental citada pela televisão estatal síria, Damasco considerou que esses grupos armados são "responsáveis pela segurança, pela proteção da vida e pelo retorno pacífico da equipe da ONU" As autoridades sírias negaram o uso de armamento químico em Guta, onde houve uma grande ofensiva contra os rebeldes na semana passada.

O regime acusou os insurgentes de utilizarem esse tipo de armas em combates recentes no subúrbio de Damasco. O presidente da Síria, Bashar al Assad, classificou como um "insulto ao bom senso" as declarações que acusam o seu governo de usar armas químicas em sua luta contra a oposição armada.

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