Por thiago.antunes

São Paulo - O combate a cânceres comuns entre os jovens ganhou um aliado com estudo de pesquisadores brasileiros. Trata-se de um ‘kit’ que detecta, a partir do teste do pezinho, mutações genéticas ligadas a diversos tumores pediátricos. O experimento foi desenvolvido por um grupo da Unicamp e do Centro Infantil Boldrini e, no futuro, poderá ser oferecido também no sistema de saúde.

O processo para localizar alterações genéticas ligadas a vários tipos de câncer a à Síndrome de Li-Fraumeni, que pode desencadear leucemia e tumores na mama, por exemplo. "Existem opções similares, porque adaptamos a técnica, mas a nossa é mais rápida, eficiente e pode ser aplicada em larga escala", explicou aluna da genética e biologia molecular Isabel Pereira Caminha, que desenvolveu o projeto durante o doutordo na Unicamp.

Para a pesquisa, o kit foi testado em 30 mil recém-nascidos, e a mutação foi detectada em 0,2% deles. O grupo, portanto, tem maior propensão a desenvolver tumores, especialmente no córtex adrenal, que corresponde à parte de uma glândula acima dos rins. Apesar de raro, a incidência deste tipo de câncer é 15 vezes maior no Brasil do que no resto do mundo.

A partir da descoberta precoce da mutação, a ideia é fazer um acompanhamento da criança par a garantir a retirada do tumor antes que ele cresça, evitando a necessidade de quimioterapia após a cirurgia. “Esse tipo de câncer tem uma resposta muito ruim ao tratamento, então é difícil conseguir a cura em casos que demoram para ser descobertos”, ressaltou Isabel, que espera voltar a estudar o grupo diagnosticado com a mutação nos próximos anos.

O procedimento, que poderá ser incluído no teste do pezinho, oferecido pelo SUS, ainda não tem previsão para ser utilizado. “Até podemos aplicar essa técnica em massa, mas, antes, precisamos estudar como as famílias poderão receber esse diagnóstico pesado tão cedo”, disse a pesquisadora.

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