Dor: Sinal de alerta

Incômodo persistente precisa ser investigado por um médico

Por O Dia

Rio - Tão comum como sentir dor é tomar um remedinho por conta própria e esperar passar. Mas o incômodo, classificado como ‘não é nada’, pode ser sinal de doenças que vão de gastrite a câncer. A recomendação é simples: dores inexplicáveis e persistentes por mais de uma semana devem ser investigadas por um profissional.

O principal problema de esperar a dor ficar ‘insuportável’ para recorrer ao médico é o risco de que uma doença grave tenha o diagnóstico tardio, segundo Roberto Rocha, especialista de dor do Hospital das Clínicas de São Paulo. “O paciente não deve negligenciar os sintomas. Além disso, ninguém deve se medicar sem saber a causa da dor e a necessidade do medicamento. A automedicação reduz o incômodo e adia o diagnóstico”, disse, acrescentando que as dores mais frequentes são de cabeça e coluna. 

Neurologista da Sociedade Brasileira de Cefaleia, Celia Roesler alerta que o uso frequente de analgésicos pode transformar uma dor de cabeça esporádica em crônica. Quando o uso de medicamentos ultrapassa a frequência de duas vezes por semana, é hora de procurar o especialista. “Mais importante do que tomar remédio para dores de cabeça é saber a causa delas. Há analgésicos potentes, mas melhorar o incômono não significa curar o problema”, declara.

Cirurgião oncologista do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Rafael Albagl ressalta que a dor é ainda um sintoma frequente em vários tipos de câncer. De acordo com o médico, o incômodo na boca do estômago pode ser sintoma de tumor gástrico, e dores na região lombar podem ser as primeiras manifestações de câncer no pâncreas. “É importante afirmar que nem toda dor é sintoma de câncer. É importante consultar um especialista em caso de dor inexplicável que persiste por mais de uma semana”, declara o especialista.

No caso de tumores, recorrer a analgésicos para aliviar o mal pode trazer graves consequências. Isso porque em qualquer caso de câncer o melhor diagnóstico é o que é feito precocemente, o que aumenta as chances de cura. “Tumores malignos da vesícula, do pâncreas e melanoma se tornam piores quando o diagnóstico é tardio”, afirma.

Automedicação para dor de cabeça quase matou mulher

Para controlar a constante dor de cabeça, a babá Márcia Caetano Moura, 39 anos, tomava dois comprimidos a cada crise. Frequentemente, as dores vinham acompanhadas de vômito e noites em claro. Ela achava que era enxaqueca ou reflexo de alguma comida que não caíra bem. Em 2010, foi levada às pressas para a emergência de um hospital, onde foi submetida a uma cirurgia emergencial que durou 12 horas. Motivo? Uma fissura na artéria aorta, causada pela hipertensão e por sucessivos picos de pressão não tratados. E tudo isso estava por trás da ‘simples’ dor de cabeça.

“Não ia ao médico e tomava remédio por conta própria. Nunca desconfiei que pudesse ser algo sério e sempre culpava a comida ou a bebida”, disse.
Hoje, com uma prótese cardíaca, Márcia precisa tomar medicamentos controlados e fazer dieta rigorosa, com baixo consumo de sal e gordura. “O melhor seria ter ido ao médico no início das dores ao invés de esperar passar mal para descobrir o problema”, avalia.

Motivo de 80% da procura à rede pública de saúde no Brasil

?Cerca de 30% da população mundial sofre com dores crônicas. No Brasil, o problema afeta 40% das pessoas, segundo a Sociedade Brasileira de Estudo da Dor . Além disso, 80% dos que recorrem ao Sistema Único de Saúde o fazem por causa dos incômodos. Para 69% dos brasileiros, as dores de coluna já duram mais de um ano. A sociedade promove em todo primeiro domingo do mês a Caminhada ‘Pare a Dor’, no Parque Bosque da Barra (Avenida das Américas 6000). O evento, que promove alongamentos e exercícios leves, começa às 8h.

De acordo com a sociedade, entre os maus hábitos que mais colaboram para a permanência da dor estão: não fazer exercício físico; evitar tratamentos complementares, como fisioterapia e acupuntura; automedicação e alterar o tratamento por conta própria. “Não optar por práticas complementares pode causar prejuízos desnecessários ao organismo, já que o tratamento não medicamentoso ameniza a dor sem sobrecarregar órgãos como os rins e o fígado”, destaca o neurologista José Geraldo.

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