Por juliana.stefanelli

Genebra (Suiça) - A comissão criada pela ONU para investigar as violações dos direitos humanos na guerra da Síria denunciou nesta segunda-feira o "aumento significativo" dos crimes perpetrados por grupos opositores extremistas e combatentes estrangeiros que entraram no país.

"Brigadas inteiras são agora formadas por combatentes que ingressaram na Síria, com os Al-Muhajireen como os mais ativos", disse o presidente da comissão, o brasileiro Paulo Sergio Pinheiro, na apresentação do relatório mais recente da comissão ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.

As Brigadas de Al-Muhajireen são um grupo jihadista formado para participar do conflito sírio e filiado ao extremista "Estado Islâmico do Iraque e do Levante", que por sua vez é ligado a Al Qaeda.

Rebeldes posicionando armas para disparos em área de AleppoReuters

Pinheiro relatou denúncias e evidências do assassinato por parte de opositores extremistas de soldados em pelo menos uma localidade, de civis curdos em pelo menos três episódios diferentes e massacres em redutos alauítas, a minoria a qual pertence a família do presidente Bashar al Assad. Segundo a comissão, os rebeldes extremistas sequestraram centenas de curdos no norte de Aleppo, em Al Raqqah e em Al Hasakah para trocá-los depois por presos opositores.

Os crimes denunciados pela comissão correspondem unicamente ao período compreendido entre o final de julho e início de agosto. A equipe também denunciou as forças do governo sírio por bombardeios indiscriminados contra civis e por praticar sistematicamente a tortura em centros de detenção, inclusive contra crianças. "O governo continuou sua incansável campanha de bombardeios aéreos e ataques com artilharia em todo o país.

Documentamos ataques ilegais em doze das quatorze governações" da Síria, segundo Pinheiro. O presidente descreveu que os ataques foram particularmente intensos em Damasco, Homs e Aleppo, assim como nas zonas rurais destas três cidades, enquanto "armas de fragmentação (proibidas pelas normas internacionais) continuam sendo usadas em Idlib". Para transmitir a dimensão do horror que vive a população síria, Pinheiro descreveu o ataque contra uma escola ocorrido em 26 de agosto em uma zona de Aleppo.

"Uma bomba incendiária foi lançada de um avião, o fogo matou imediatamente oito alunos e outros cinquenta, entre 14 e 17 anos, sofreram terríveis queimaduras em 80% do corpo. Muitos deles não sobreviverão. Não há evidência de que houvesse nenhum alvo próximo da escola", denunciou.

Além disso, o presidente da comissão se referiu às operações atribuídas às forças do regime contra hospitais e equipes médicas, dos quais a mais recente ocorreu na quinta-feira passada, "quando aviões do governo atacaram o terreno de um hospital perto de Aleppo, matando onze pessoas e ferindo uma dúzia mais".

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