Por julia.amin

Itália - O navio de cruzeiro Costa Concordia se moveu lentamente nesta segunda-feira de uma rocha onde está encalhado há mais de 20 meses na Itália, em um processo meticuloso para endireitar a embarcação que deverá continuar até as primeiras horas de terça-feira.

Enquanto equipes de resgate se concentravam na maior operação desse tipo já realizada, sobreviventes do desastre de 13 de janeiro de 2012, em que o navio que transportava mais de 4 mil passageiros e tripulantes naufragou perto da ilha italiana de Giglio, pensavam nas 32 pessoas que morreram, incluindo duas cujos corpos ainda não foram encontrados.

Navio Costa Concordia está na Ilha de Giglio%2C na ItáliaReuters


"Naturalmente, penso nas pessoas que não conseguiram (sobreviver) e, especialmente, naquelas duas famílias que ainda estão à espera de encontrar os restos mortais de seus entes queridos", disse Luciano Castro, um jornalista de 49 anos que estava no navio quando ele afundou.

"Eles ainda devem estar sob a quilha do Concordia e espero que depois disso, finalmente, eles possam ter um túmulo sobre o qual chorar de novo." Após um atraso de três horas por causa de uma tempestade durante a madrugada, interrompendo os preparativos finais, os técnicos iniciaram a operação por volta de 9h (4h da manhã no horário de Brasília) e no meio da tarde já tinham erguido parte do navio.

Nesse mesmo lado era possível ver uma marca de água marrom manchando o casco branco. "Está tudo acontecendo muito lentamente, mas com muito cuidado e segurança", disse a repórteres o líder da equipe técnica da Costa Cruise, Franco Porcellacchia.

"O navio está reagindo muito bem porque está girando de uma forma uniforme, que é o que esperávamos", afirmou Porcellacchia. Autoridades se recusaram a estimar quanto tempo a operação, originalmente programada para ser de 10 a 12 horas, pode durar. "Nós nunca definimos qualquer tempo fixo para isso", disse o líder do projeto da empresa contratada Micoperi, Sergio Girotto. "Pode levar 15 ou 18 horas. O objetivo é fazê-lo bem."

Entenda o caso

O gigantesco casco de 114,5 mil toneladas está deitado de lado há mais de 20 meses, dominando a paisagem do pequeno porto da ilha turística de Giglio, onde o navio naufragou após bater em rochas, em 13 de janeiro de 2012, matando 32 pessoas. O acidente foi causado por uma coleção de tropeços e erros de avaliação, pelos quais o capitão Francesco Schettino está sendo processado penalmente.

Já a operação de resgate tem sido um feito de engenharia cuidadosamente coordenado, com um custo estimado em mais de 600 milhões de euros (795 milhões de dólares) --valor superior a metade do prejuízo coberto por seguros, que ultrapassou 1,1 bilhão de dólares. Uma equipe internacional de 500 engenheiros está na ilha desde o ano passado, estabilizando a embarcação e preparando o início da operação que consiste em endireitá-la, para que o navio possa então ser rebocado para um estaleiro onde será desmontado.

Navio Costa Concordia Reuters


Grandes seguradoras do setor marítimo acompanham atentamente a operação de resgate do navio --que tem o comprimento de três campos de futebol e capacidade para mais de 4 mil passageiros e tripulantes. Eventuais problemas na operação poderão ter um impacto significativo sobre futuras apólices.

Os engenheiros se dizem confiantes no sucesso da operação, embora o processo nunca tenha sido tentado sob condições tão difíceis em um barco desse tamanho. "Ele está sobre a lateral de uma montanha no leito marinho, equilibrado sobre dois corais, e é um navio realmente grande... Então é algo que nunca foi feito nessa escala", disse o engenheiro sul-africano Nick Sloane, que participa da tarefa.

Onze tanques grandes, cada um do tamanho de um prédio de vários andares, foram soldados à lateral emersa do Concordia para ajudar na sustentação. Durante a operação, os técnicos também irão procurar os corpos de um tripulante e uma passageira que continuam desaparecidos.

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