A ciência na luta contra o déficit de atenção

Assim como a hiperatividade, o problema não tem cura, mas tratamento pode reduzir as consequências

Por O Dia

Rio - O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), que não tem cura, pode causar grandes prejuízos na vida adulta, se não for tratado desde a infância, quando é comumente diagnosticado. O transtorno neurobiológico atrapalha habilidades de aprendizagem e convívio social, causando problemas que tendem a crescer após a passagem da adolescência, avisam especialistas.

O empresário William Roberto Pacheco, 28 anos, percebe os sintomas do TDAH desde pequeno, quando enfrentava problemas no colégio por causa distração, mas ainda reluta em procurar ajuda.
Ele considera difícil o acesso ao tratamento. “Achava que não era nada sério, mas é algo que me atrapalha até hoje”, disse Pacheco.

Ele conta que chega a perturbar o sono da mulher, que é pedagoga e já o orientou sobre o distúrbio. “Fico mexendo a perna na cama porque não consigo simplesmente deitar e dormir”, explica.

Os sintomas são os do déficit de atenção, segundo a psicóloga Luciana Valente, especialista em terapia cognitiva e comportamental. Ela diz que, em determinados casos, as consequências em adultos podem até atrapalhar a carreira. “A pessoa perde o foco na escolha da profissão e tem dificuldade em se estabilizar em uma faculdade ou emprego”, disse, ressaltando que a defasagem do nível de atenção pode levar a atrasos, esquecimentos, dispersão durante reuniões e dificuldade de socialização em grupo.

DIAGNÓSTICO

Por afetar o comportamento das crianças no início da vida escolar, muitas vezes o TDAH é confundido com um problema natural de conduta. É recomendado, por isso, procurar ajuda diante dos primeiros sinais. “Apenas uma avaliação neuropsicológica vai poder diagnosticar o déficit de atenção”, alerta Luciana.

Remédio afeta adultos

O tratamento para o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperativade pode ser feito com remédio ou por métodos considerados alternativos, como o neurofeedback. “É um treinamento neurológico em que eletrodos monitoram os sinais fisiológicos do paciente e enviam para o computador, que avalia a performance através de programas especiais”, explicou a psicóloga Luciana Valente.

Apesar de ser mais caro, o recurso não tem contraindicações, enquanto o método tradicional pode causar consequências nos demais pacientes. “As crianças não percebem tanto, mas os adultos acabam se sentindo bem deprimidos. Os efeitos colaterais são bem desagradáveis para eles”, salienta a especialista.

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