Cartilha ajuda a conviver com doentes de Alzheimer

Dicas orientam crianças e jovens que têm parentes com a doença, que afeta idosos

Por O Dia

Rio - Principal causa de demência no mundo, o mal de Alzheimer, segue fazendo vítimas na terceira idade. Para ajudar jovens e crianças a lidar com parentes portadores da doença, a Associação de Parentes e Amigos de Pessoas com Alzheimer (Apaz) lançou uma cartilha com dicas de convivência. Hoje é o Dia Mundial de conscientização da doença.

Feito em formato de história em quadrinhos, o material conta a história de Laura, cuja avó sofre do mal. Entre as dicas para lidar com portadores da doença estão: não deixar remédios perto do paciente, vigiar portas e banheiros para evitar acidentes e auxiliar a pessoa a fazer compras e pagamentos (portadores de Alzheimer perdem a noção do valor do dinheiro).

Um grande problema relacionado ao Alzheimer é o diagnóstico, já que muitas vezes os primeiros esquecimentos acabam sendo subestimados pela família dos pacientes. “Claro que o envelhecimento traz perdas de memória, mas tem algo errado a partir do momento que elas atrapalham atividades diárias”, alertou a presidente da Apaz, Maria Aparecida Pacheco, que iniciou seu ativismo pelos portadores da doença ao procurar ajuda para a mãe, diagnosticada com o distúrbio ainda em 1995.

Os primeiros sintomas da doença são esquecimento de fatos recentes e desorientação de tempo, mas podem evoluir para a diminuição do vocabulário e dificuldade em realizar tarefas básicas. Como a maioria dos transtornos mentais, o Alzheimer não tem cura, mas um acompanhamento regular com medicação e paciência pode controlar a evolução da doença. “A harmonia no convívio familiar é indispensável, porque evita que o paciente ache que está atrapalhando o ambiente”, explicou o neurologista Rogério Naylor.

Chance de prevenir ainda é incerta

Especialistas divergem sobre a prevenção do mal de Alzheimer, já que ele pode ser causado por uma predisposição genética — a origem da doença ainda não é totalmente conhecida. Mesmo assim, mudanças de determinados hábitos seriam capazes de evitar o desenvolvimento do distúrbio, de acordo com pesquisa da Universidade da Califórnia, em São Francisco, nos Estados Unidos, divulgada em 2011.

O fator apontado como maior causador da doença é o baixo nível educacional, seguido pelo tabagismo e a falta de atividade física. Ainda são listados casos de depressão, hipertensão, obesidade na meia idade e até diabetes.

Estas circunstâncias, avaliadas a partir de um modelo matemático sobre os riscos do Alzheimer no mundo, variam para cada indivíduo e não devem ser levadas como regra. “Não há uma forma de prevenção eficaz, existem apenas medidas que podem dificultar o impacto do acometimento inicial”, alertou Rogério Naylor.

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