Por nara.boechat
Publicado 02/10/2013 22:12

Johanesburgo (África do Sul) - O uso da tecnologia pelos jovens a favor do bem social e uma rediscussão do capitalismo são algumas das saídas apontadas por líderes mundiais reunidos em Johanesburgo, na África do Sul, para o Young One World Summit 2013. O evento, promovido pela organização de mesmo nome, começou nesta quarta-feira e reúne até sábado autoridades como o secretário geral da ONU, Kofi Annan, Muhammad Yunus, ganhador do prêmio Nobel da Paz, e o músico Bob Geldof. A conferência reúne 1.300 engajados na causa humanitária de 190 países, onde serão implementados projetos apresentados na quarta edição do encontro anual. Já há 375 deles em andamento.

“Criamos uma plataforma global gigante para que todos interessados em melhorar o mundo se unam. São pessoas que entendem a necessidade urgente de uma revolução. Esse ano estamos fazendo o evento na África para mostrar que esse é um continente que precisa de investimentos, e não de ajuda”, comentou David Jones, cofundador do One Young World.

Conferência reúne 1.300 engajados na causa humanitária de 190 países na África do SulCristine Gerk / Agência O Dia

Em seu discurso, Kofi Annan ressaltou que o maior recurso do mundo, sobretudo da África, são os jovens. E o meio deles agirem é a tecnologia. “Fronteiras nacionais não existem mais pela troca de informação e comunicação. Não há limites para o que podem alcançar. Estão mais preocupados com o futuro, solidários. Que sua voz seja ouvida!”, bradou o secretário da ONU, convidando cada um a mudar sua comunidade pensando globalmente e se unir a outros para aprender.

Segundo a Young One World, mais de 4,5 milhões de pessoas já foram beneficiadas por suas ações, muitas delas decorrentes de aplicativos criados por jovens embaixadores. Entre eles, foram citados programas de transparência pública para governos e de ajuda a eleitores votarem, com informações sobre cada partido e candidato. Os jovens são auxiliados por orientação frequente via Facebook.

Para Sir Richard Branson, fundador do grupo Virgin e ativista, é preciso rediscutir o capitalismo. “O sistema como é hoje está bom? Não há uma versão do capitalismo mais híbrida, mais socialmente responsável? Os empresários só pensam nos lucros, mas e as pessoas? E o meio ambiente?”, contestou um dos homens mais ricos do mundo. Como alternativa à onda mundial de desemprego, muito debatida, Branson sugere a redução da jornada de trabalho. “As pessoas teriam mais tempo para ficar com a família e mais empregos iam surgir”, opinou.

Em clima de esperança, Muhammad Yunus também elogiou os avanços tecnológicos e ressaltou que o que Nelson Mandela fez na África do Sul pode ser feito no mundo todo. “Até 2030 a pobreza do mundo vai acabar, só vai existir em museus que criaremos para contar sobre ela. Vocês são a geração jovem mais poderosa da história. Todos os impossíveis viraram possíveis com a tecnologia. Usem seu poder, criem filmes e livros de 'ficção social’, e não mais científica”, sugeriu aos 1.200 alunos de escolas locais, presentes ao evento. E encerrou com um recado: “O sistema pune as pessoas quando elas que deviam punir o sistema. Insisto numa economia mais social”.

Bob Geldof encerrou a noite com um discurso em tom de alerta: “Não deixem a sua geração falhar, como as outras fizeram, porque vai haver uma destruição em massa”, ordenou, citando como algozes a corrupção, as armas nucleares, o terrorismo e as mudanças climáticas. “Está faltando algo que a propaganda de TV não nos pode dar: precisamos pensar em mais que nós mesmos e ser mais humanos. Forcem seus governos”, convocou.

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