Por bferreira

Rio - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou ontem resolução proibindo a distribuição e comercialização do composto líquido conhecido como ‘Tesão de Vaca’, produzido pela empresa paranaense K-LAB, por não apresentar advertências obrigatórias e detalhes da sua composição no rótulo. Fabricado a partir do extrato de guaraná, taurina e catuaba, o produto ainda é irregular por denominar-se estimulante, o que é proibido pela Anvisa.

De acordo com o texto, mercadorias deste tipo precisam ter um aviso de que crianças, gestantes, idosos e portadores de determinadas doenças devem ter atenção no consumo, além de alertar para que não sejam misturadas com bebidas alcoólicas. Sites que vendiam o ‘Tesão’ até ontem, pelo contrário, recomendavam o consumo com “vinho ou outras bebidas quentes”.

O uso da substância sem orientação pode trazer prejuízos ao sistema cardiovascular. “Os riscos acontecem no consumo indiscriminado, mas é mais preocupante em pessoas com arritmias cardíacas e doença coronariana”, explica o cardiologista Henrique Veloso, destacando que a composição também pode ser nociva a gestantes e mães durante a amamentação.

Procurados pela reportagem, representantes do laboratório K-LAB não foram localizados para comentar a decisão da Anvisa. O órgão não confirmou se a empresa sofrerá sanções, limitando-se a afirmar que instaurou um processo administrativo . “Se houver multa ou punição, isso será anunciado após o processo”, informou a Anvisa.

FORA DAS PRATELEIRAS

Outros 31 produtos eróticos foram proibidos pela Anvisa no início de setembro. A venda de itens como ‘Dose de Amor’ e ‘Gotas do Delírio Afrodisíaco’ foi suspensa porque as mercadorias não eram regularizadas e seus fabricantes não tinham autorização de funcionamento.

Procura pelo produto é alta

O ‘Tesão de Vaca’ funcionaria como um estimulador de desejo sexual feminino e faz sucesso nas lojas especializadas. “É muito procurado pelas mulheres, mas é polêmico porque não tem uma comprovação”, contou a consultora de produtos eróticos Érica Rambalde, dona da rede Sexy Delícia.

A empresária, que integra a Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abebe), afirma não comercializar o item e mostrou-se favorável à decisão da Anvisa. “Acho certo. A gente precisa organizar o mercado e torná-lo sério para que o consumidor tenha tranquilidade para comprar”, disse.

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