Por julia.amin

Brasília .- O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) afirmou nesta quarta-feira que o trabalho infantil só poderá ser erradicado no mundo se for garantida a frequência das crianças à escola e se os governos atuarem com rigor para combater a violência doméstica.

"Não se pode enfrentar o exploração que sofrem as crianças de forma isolada e esperar resultados espetaculares", declarou Susan Bissell, diretora da área de Proteção do Unicef, ao discursar na III Conferência Global sobre Trabalho Infantil, realizada em Brasília. O encontro tem a presença de delegados de 140 países, e é "uma oportunidade para enfatizar a necessidade urgente de combinar todos os esforços para combater o trabalho infantil, eliminar a violência contra as crianças e fortalecer os sistemas nacionais de proteção".

O último relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), publicado em setembro, disse que há 168 milhões de crianças trabalhadoras no mundo e que metade delas está submetida a "as piores formas de trabalho infantil", que a ONU se comprometeu a eliminar para 2016. Nessa categoria a OIT situa a escravidão, o trabalho forçado, a servidão e o exploração sexual.

A funcionária da Unicef alertou que muitas das crianças que são submetidas a essas práticas são também vítimas das máfias de tráfico humano, que muitas vezes se valem dos problemas que existem nas famílias para serem sequestradas. "As crianças em risco de ser traficados muitas vezes estão em conflito com a lei, enfrentam situações violentas em suas casas ou podem ser órfãos abandonados", indicou Bissell, que sustentou que o problema do trabalho infantil deve ser abordado em suas múltiplas facetas. "

Temos que levar em conta os mais diversos ângulos ao mesmo tempo para que o combate seja efetivo", apontou. A conferência, inaugurada na terça-feira e que terminará amanhã, quando será divulgada a "Carta de Brasília", um documento que trará o resultado dos três dias de debates. No encerramento discursará o ex-presidente Lula e o diretor-geral da OIT, Guy Rider.

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