Falso cirurgião plástico usava cimento e cola em pacientes

Condenado a um ano de prisão, ele implantava material em glúteos, pernas, seios e lábios

Por O Dia

Estados Unidos - Após uma série de denúncias por danos a pacientes e exercício ilegal da medicina, a vida profissional do americano Ron Oneal Morris, também conhecido como ‘Doutor Cimento’, finalmente desabou. Acusado de realizar cirurgias estéticas em mulheres usando materiais tóxicos como cola, selante de pneus e cimento, o falso médico foi condenado ontem pela Justiça da Flórida e cumprirá pena de um ano em regime fechado. O caso chama a atenção para os riscos de se realizar procedimento cirúrgico sem consultar um profissional especializado.

Sebastião Guerra, Conselheiro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, afirma que “o uso de substâncias caseiras como próteses é comum e extremamente perigoso”. Como efeito colateral, o paciente pode ter infecção, choque alérgico e até atrofias na pele. Segundo Sebastião, “toda técnica deve ser testada, publicada e reconhecida pelos conselhos de medicina antes de ser aplicada em pacientes”, alerta.

As acusações contra Morris começaram em 2010, quando uma das ‘pacientes’ pagou o equivalente a R$ 1 mil reais por uma cirurgia para aumento dos glúteos, que lhe rendeu uma pneumonia e quadris deformados. Após investigações, peritos descobriram que supercola e óleos minerais tinham sido implantadas nas nádegas da paciente.

O suposto médico, que é transexual e chegou a aplicar a técnica em si mesmo, também é apontado como responsável pela morte de Shatarka Nuby, de 30 anos. Ela recebeu as injeções de Morris nos lábios, coxas, seios e glúteos. Morris utilizou cola e algodão para ‘costurar’ a área, o que acabou fazendo com que Shatarka contraísse uma infecção generalizada.

De acordo com o relatório policial, pesam sobre ele as acusações de exercer a medicina sem licença, causar danos a outras pessoas e de cometer homicídio culposo, quando não há a intenção de matar.

Não caia em mãos erradas

Para não cair na ‘lábia’ de oportunistas, fique atento às dicas do médico Sebastião Guerra, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

O paciente deve procurar um profissional especializado em cirurgia plástica, de preferência membro da Sociedade.

Desconfie de soluções milagrosas e de preços abaixo dos de mercado.

Peça indicação de um cirurgião plástico a um médico de sua confiança e desconfie daqueles que aparecem muito em propagandas.

A operação deve ser feita em ambiente hospitalar com CTI, caso haja intercorrências durante ou após a operação.

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