Cariocas são os campeões da pressão alta no Brasil

Pesquisa do Ministério da Saúde mostra que situação é ainda pior entre as mulheres

Por O Dia

Rio - Alerta aos cariocas: o município do Rio concentra a maior taxa de hipertensos do país — 29,7% da população adulta. Entre as mulheres, a situação é ainda pior: um terço (33%) foi diagnosticado com o mal. O alerta faz parte de pesquisa divulgada ontem pelo Ministério da Saúde. Para tentar reduzir a incidência da doença, fabricantes assinaram acordo que prevê redução do sódio nos alimentos.

De acordo com o levantamento Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2012), 24,3% da população adulta têm hipertensão, contra 22,5% em 2006. Além disso, o mal afeta mais as mulheres (26,9%) do que os homens (21,3%) e tem maior incidência entre idosos (59,2%).

Subsecretário de Atenção Primária da Secretaria Municial de Saúde do Rio, Daniel Soranz crê que os altos índices na capital estão relacionados à maior capacidade de diagnosticar a hipertensão entre os cariocas. “Ampliamos bastante a cobertura da Atenção Básica. Antes disso, muitos cariocas não sabiam que tinham a doença”, disse.

Já para a diretora do Departamento de Análise de Situação de Saúde do ministério, Deborah Malta, a liderança do Rio ocorre devido ao alto número de idosos. A boa notícia é que a taxa de pessoas internadas em decorrência da hipertensão caiu 25% entre 2010 e 2012

MENOS SÓDIO NA COMIDA

O Ministério da Saúde e a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos assinaram acordo que prevê a redução do teor de sódio em 13 alimentos industrializados (laticínios, embutidos e refeições prontas). A meta é diminuir a substância, causadora da pressão alta, em até 68% até 2017. Esta foi a quarta edição do acordo, que tem adesão voluntária das indústrias. Pão de forma, batata frita, cereais matinais, arroz e macarrão instantâneo integraram tratados anteriores.

O brasileiro consome 12 gramas de sódio por dia, mais que o dobro recomendado pela Organização Mundial de Saúde (5 g). Caso o padrão fosse adotado, haveria 15% menos mortes por AVC e 10% menos óbitos por infarto. Outro ganho seria o acréscimo de mais quatro anos na expectativa de vida dos que sofrem com pressão alta.

Doença pode causar até a morte

Em 95% dos casos, a hipertensão está relacionada a maus hábitos, como ingestão de sal, sedentarismo, fumo e obesidade, segundo Ivan Cordovil, do Instituto Nacional de Cardiologia. Os outros 5% têm relação com doenças como apneia do sono e problemas no rim. “A doença leva à morte e a males como acidente vascular cerebral, infarto e insuficiência renal”, cita.

Antônio Felipe Sanjuliani, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão, explica que o sódio (presente no sal) aumenta o volume do sangue e reduz o espaço das artérias, o que causa a hipertensão. Sobre a maior incidência entre as mulheres, ele explica que a menopausa aumenta o risco da doença, já que a taxa de hormônios que controlam a pressão fica reduzida.

PRODUTOS

No acordo assinado entre governo e a indústria de alimentos, há 13 itens que deverão ter o sódio reduzido até 2016 e 2017.

REQUEIJÃO CREMOSO
A meta para 2016 é 541 mg de sódio para 100 g do produto.

QUEIJO MUÇARELA
2016: 512 mg/100g

SOPA INSTANTÂNEA
2016: 330 mg/100g

SOPA PRONTA
2016: 314 mg/100g

EMPANADOS
2017: 650mg/100g

HAMBÚRGUER
2017: 740mg/100g

LINGUIÇA COZIDA (TEMPERATURA AMBIENTE)
2017: 1500 mg/100g

LINGUIÇA FRESCAL
2017: 970mg/100g

LINGUIÇA COZIDA (REFRIGERADA)
2017: 1210mg/100g

MORTADELA
2017: 1180 mg/100g

PRESUNTOS
2017: 1160 mg / 100g

SALSICHAS
2017: 1120mg / 100g

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